segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Sou feia mas to na moda!

Enquanto nos anos 80 a lambada era a dança proibida, nos anos 00 (?), entra em seu lugar, o funk.

Considerado por muitos dos que mal vêem um ritmo vulgar, apelativo, que faz apologia às drogas, violência e poderes paralelos. E pelos que bem vêem, uma música boa de se dançar, popular, de raízes ecléticas, com tendências ecléticas, globalizada ou não, resumindo-se em uma das expressões musicais e culturais brasileiras da ultima década do século XX e da primeira do XXI. De certa maneira, o mal olhado pode não passar de preconceito, já que quem não tem dinheiro não pode ser feliz. Mas não convém a argumentação de raízes econômicas.

O movimento funkeiro tem lá suas vozes, para mim o que mais explica o nome e as letras é o "sou feia mais to na moda", mostrando que nem sempre são os rostos mais bonitos que brilham, que nem toda garota é uma princesinha, e que nem toda funkeira é puta.

O funk como ideologia termina sendo uma maneira de manifestar o escarnio da população mais necessitada perante a população de status, como em diversas outras épocas. E essa ideologia por ser a voz verdadeira do povo passa a ser mal vista pelos olhos de cima e assim é inserida às margens da sociedade.

Mas ao invés de acabar, a ideologia funkeira se fortalece, já que a grande maioria dos que a sustentam estão à margem da sociedade também. Deixando assim de ser uma simples música sem letra, ou com letras vulgares, para passar a ser uma música considerada identidade de uma parcela da nação (essa é a maior parcela).

Fazendo do funk o movimento que se desvencilha da dança do acasalamento sutil dos outros estilos de música ( retirando-se o hip-hop "acefalo" e o rock "rebel"), e passa a ser o gemido (de prazer ou de dor) de uma maioria de miseráveis, em um pais de fome.

O funk não passa do retrato musical do Brasil; bossa nova é o caralho, não se dança ouvindo Toquinho.



Próximo tema: Se ema é bicho, emo é bicha

Um comentário:

Sara T. disse...

não se dança apenas ouvindo funk. Se dança ouvindo rock, música eletrônica, pop, axé e até bossa nova sim.

De qualquer forma... odeio funk atual com todas as minhas forças. Não suporto as letras sem sentido, não suporto ver que a maioria denigre nós mulheres e que a maioria das pessoas "concordam" ao ouvir as musicas freneticamente.