segunda-feira, 12 de abril de 2010

Não precisa ser fã pra entender

Como num conto de fadas, surgiu um herói pra acalmar os pesadelos dos apaixonados. Suas palavras em bilhetinhos azuis talvez fossem cumplices dos desamores e desilusões, mas eu agradeço por esse cara ter surgido no mundo. Parte da burguesia, ele acreditava na inocência do prazer, mas não esquecia que ser exagerado fazia parte do seu show. A vida não doía, morrer não doía, para ele, era tudo festa enquanto a festa rolasse. Por culpa da sociedade hipócrita, ele queria esquecer de quem era o poder, mas seu codinome beija-flor não o deixava ficar parado, ele queria voar pelo mundo e ser quem não era. Ele queria mudar o planeta com suas palavras de poeta. Acreditava que o Brasil iria ensinar o mundo, mas que esse era um moinho, e não parava, enquanto a paixão não fizesse congelar os sorrisos. A incapacidade de amar do jovem deixava sua cabeça fora do lugar, e uma luz negra surgia nos seus dias, levando embora os caminhos que já havia traçado. Pousando de star, acreditava na necessidade de dizer 'te amo', mas no rock in geral, tentava falar de poema, sexo e preconceito. Um ritual de maioridade, uma malandragem bizarra diante de uma modernidade tão burra, mas ele sabia que não havia perdão para o chato - por isso não o era. Ele tentava ser o que ninguém conseguia, e mais feliz que todos, dizia: "o tempo não pára". Ainda assim, se sentia largado no mundo, por ser tão oposto dos que estavam tão perto dele. Cazuza era oriental, portuga, filho unico, garoto de bauru, maior abandonado, menino mimado, cavalo calado, billy negão, cazuza era tudo e todos ao mesmo tempo, representava o certo e o errado, o bom e o mau, a vida e a morte, o amor. Não tinha uma ideologia, não tinha uma doralinda, uma camila, uma flor, um bebê, uma bete balanço. Mas um pedaço do seu coração era da ânsia, de fazer da pedra, da flor e do espinho uma união eterna, e esconder os pontos fracos dos alheios. Acreditava na insanidade, na incapacidade de amar, no mal nenhum. Vivia na era medieval II, mas era sem vergonha, não gostava de solidão - que nada. Queria que o dia nascesse feliz todos os dias, por quase um segundo... Se perguntava por que a gente é assim, e retratava nos blues da piedade, a tristeza por ver que a vida estava longe de ser eternizada. Certo dia na cidade, numa quarta-feira, deu boas novas a vida: foi embora, pegou um trem para as estrelas, levou todo o amor que houver nessa vida, e partiu, mostrando que a vida louca vida é breve, e que ninguém morre se não tiver deixado uma marca, e sua marca foi tão grande, que pra escrever sobre ele, só mesmo com as suas proprias músicas.

Se heavy love fez mulheres sem razão encontrarem um rumo, suas palavras mudaram a minha vida. E como numa guerra civil, vai à luta, e saiba que a vida não é facil, pois um pedaço do meu coração contém os seus versos. Um dia eu vou encontrar o poeta que fez o tempo parar, exageradamente.


Próximo tema: Marionetes

5 comentários:

Gabriel Zambrone disse...

'pois um pedaço do meu coração contém os seus versos.'

João Arthur disse...

BRAVO como tudo que contém sua assinatura!!!!!
BRAVO, mil vezes, BRAVO

Renata Fontanetto. disse...

admiro a beleza do seu texto e o entusiasmo que ele consegue produzir. Mas não sei falar nada sobre Cazuza, o pouco que sei não adiciona uma vírgula. Portanto, não sei se discordo ou concordo.
mas belo, com certeza :)

João Arthur disse...

Pelo meu entusiasmo deu pra perceber que poucas coisas falaram tão bem sobre o cazuza como o texto dela né?

Lucas von Seehausen disse...

Realmente bom o seu texto!
Desse jeito, as pessoas vão até acreditar que Cazuza é exemplo! hahaha
Discordâncias à parte, excelente!

Beijos