quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Continuando a viagem anterior

Lá vai... Opinião sobre entorpecente vindo de uma usuária não tão frequente de drogas leves, mas que gosta de dar uma viajada de vez em quando, pseudo-psicóloga e parente direta de alcoólatra.

Concondo em parte com tudo que foi dito no post anterior, a exceção da parte que diz: 'Eu mentiria se dissesse que não tenho nada contra drogas porque eu tenho sim'. Eu não tenho nada contra as drogas, eu tenho muita coisa contra pessoas que fazem uso abusivo de drogas, qualquer uma delas, e também não concordo com maior parte do quarto parágrafo, não exatamente da parte que se expressa a vontade de Sara de ter seu auto conhecimento através de vias ditas normais, a vida é dela e ela se conhece como ela quiser, mas a ideia geral.

Bom tentando explicar da melhor forma, a parte consciente de nós mesmos, todos conhecemos 'de cor e saltiado'. A forma que agimos em situações cotidianas são previsíveis. A parte inconsciente de nois é que é o grande mistério. Ela que nos faz agir de forma surpreendente, e raramente se mostra para o mundo. Essa parte obscura do nosso ser, que fica abaixo da casca formada pela nossa consciência, e que guarda todas as nossas verdadeiras vontades, nossos sonhos mais inatingíveis, que podem ser tão cruéis que escondemos muito fundo.

Bom mais ou menos o que queria esclarecer é que, nos conhecermos por conta própria é praticamente impossível, já que parte de nós não quer ser descoberta, e outra parte não suportaria conviver com aquilo que tentamos reprimir. As drogas, são um instrumento muito perigoso e ao mesmo tempo eficaz nesse sentido, o ópio, por exemplo, era muito usado com essa finalidade, muito eficiente, mas muita gente ficou louca depois de experimentar.

Não existe forma segura de nos conhecermos de verdade, nem a terapia é recomendada em todos os casos, e muita gente se contenta (e muito) em conhecer só a casca, e faz uma força enorme pra manter o resto bem contido e recalcado, mas fumar um beck ou tomar um porre de vez em quando ajuda a ter uns 'insights' sobre algumas coisas, se entorpecer de vez em quando também põe a cabeça pra funcionar.

(pagar futuros profissionais assim como eu também ajuda)

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Próximo tema continua: Arrependimento

6 comentários:

Sara T. disse...

acho que este post da Julia podia ser convertido em comentário no post original sobre o tema. Acho que ficaria melhor, pensando pela organização do blogger e daqueles que eu já convidei a comentar aqui, que as pessoas só façam segundos e terceiros posts de um mesmo tema quando estes serão muito grandes (como o caso do post que o Gabriel Bastos fez sobre emos) =P Assim todo mundo dá sua opinião num único guestbook! agora to perdida sobre onde eu comento e falo pros meus amigos comentarem! o.o'

Gabriel Zambrone disse...

Acho que o segundo post foi necessário para dar um segundo olhar sobre o assunto em forma de post.
Um comentário seria pra ratificar alguma coisa. Um post se torna diferenciado. O post dos emos e do Obama mostrou isso. Pequeno/Médio/Grande não importa, desde que dê uma contra-opinião sobre o assunto.

Pede pros seus amigos comentarem no seu com sua visão, e comentarem no da Julia com a visão dela.

beijos

Sara T. disse...

Ah, comentários então só servem pra ratificar o texto do post?! Então sempre que alguém discordar ou pensar de alguma forma diferente do autor de algum post, vai criar outro post pra dar uma contra-opinião sobre o assunto? Bom, continuo achando que isso desorganiza o blogger. Enfim, quem sou eu pra achar alguma coisa tb!


Não há muito o que comentar sobre o post da Julia, simplesmente porque ela expôs a opinião dela quanto ao tema (e por isso eu achei desnecessário criar um novo post). Eu discordo dela sobre nós conhecermos de cor e saltiado a nossa parte consciente, porque metade das pessoas por aí demonstram não se conhecerem. Acho que não há nada melhor do que tentarmos relevar a nós mesmos o que nosso inconsciente é/quer. Basta querer. Eu sei quase tudo sobre o meu consciente, e sei boas coisas sobre o meu inconsciente. Sei coisas sobre mim mesma que pessoa alguma neste mundo vai saber, nem mesmo um futuro terapeuta. Coisas do meu íntimo, que eu descobri porque associei de diferentes formas e enxerguei de diversos ângulos possíveis, projetando tudo o que eu sonhava e sentia pro que eu vivia. É dificil explicar como aconteceu e acontece, porque cada um se autoconhece diferente do outro. Mas é possivel sim conhecer a nossa parte obscura, aquela em que guardamos todas as nossas verdadeiras vontades, todo o nosso lado cruel. E pra ser sincera, comecei a descobrir essa parte que fica debaixo da casca há menos de 2 semanas. E realmente dói. Eu diria que não estou no melhor momento da minha vida pelas coisas que descobri de mim mesma. Mas tudo começa a se esclarecer quando você projeta isso pra você ser melhor para você mesma e para o mundo. É óbvio que se autoconhecer TOTALMENTE é impossivel (ainda mais porque mudamos a cada instante), mas se a gente QUISER, a gente consegue descobrir coisas incriveis. E tudo isso sem precisar de nenhum entorpecente. Até porque, eu não acredito que quando você está entorpecido você se autoconhece mais do que se parar pra refletir de verdade racionalmente.

De qualquer forma, minhas questões continuam em jogo, e acho que nunca ninguém vai saber me dar uma resposta. Aliás, não pra mim, mas pra si mesmos. Continuo achando esse mundo dos entorpecentes, um mundo muito mais "obscuro" do que o inconsciente de cada um.

Gabriel Zambrone disse...

"Continuo achando esse mundo dos entorpecentes, um mundo muito mais "obscuro" do que o inconsciente de cada um."\

Achando não, mas é!\

Ontem mesmo tive alguns pensamentos (entorpecido) que JAMAIS, pensaria em minha sã consciência (sem um estímulo exterior).\

Coisas que eu já parei pra olhar mas não percebi.\

Como no prefácio do livro 'Ensaio sobre a cegueira' de José Saramago: "Se enxerga, vê. Se vê, repara".\

Seu foco transborda o óbvio e chega a um patamar da naturalidade, e não da 'realidade' que conhecemos./

LÓGICO: Isso é de pessoa pra pessoa, nascemos diferentes, pensamos diferente, comemos diferente, temos limites e linhas de raciocínio diferentes./

Me diga o que vc pode descobrir sem nenhum estímulo exterior? É difícil falar de algo que nunca experimentou. Não é uma crítica. Mas, tirando a parte "saúde", a parte de "efeito" lhe mostra coisas que (sem dúvidas) você jamais parou para -> reparar./

Cada um faz o que quer de sua vida, gostaria com o tema do post que foi dado, ler os experimentos de quem se entorpeceu ao menos uma vez./

Seu post foi de quem NÃO se entorpeceu, então meio que guiou o tema para outro caminho, senão o proposto./

Mantive o post pq achei ótima a idéia de contra-ponto. Da pessoa que não usou e a da que usou. Exatamente para ver qual a diferença de opiniões sobre quem sim e quem não. E assim foi./

Parabéns, by the way!

Sara T. disse...

Podemos descobrir muitas coisas sem nenhum estímulo exterior, sem nenhum entorpecente. Se você não consegue isso (e seja por causa desse motivo que faz uso de quaisquer entorpecentes), não ache que os outros não conseguem. Porque, como eu disse no meu comentario acima, se a gente quer descobrir coisas sobre si mesmos e sobre o mundo de uma forma geral, podemos. Basta querer se descobrir e descobrir sua parte obscura. Como a Julia disse e eu concordo, dói, porque quase ninguem quer descobrir. Mas enfim, concordo com você: gostaria de ler os experimentos de quem se entorpeceu! Gostaria de saber o que se passa na cabeça de vocês, como vocês se autoconhecem melhor entorpecidos. Até hoje nunca ouvi nenhuma experiência de ninguém!! E realmente, Zambrone, eu sou uma pessoa que nunca se entorpeceu de forma alguma, mas não acredito que o fato de você fumar um (ou fazer outras coisas) faz de você uma pessoa mais autoreconhecida (não tô dizendo que você não é!). Da mesma forma, claro, que o fato de eu conhecer uma boa parte de mim sem ter feito uso de entorpecente, não me faz melhor do que ninguém. Estamos aqui pra crescermos como seres-humanos. Estamos aqui pra aprendermos, vivermos de diferentes formas (e aí cada um decide se saudável ou não), aprendermos com nossos erros, e sermos melhores pra nós mesmos e para os outros. Sinto que você não deve ter gostado de algo que falei, levando em conta seu comentário no outro post; então eu finalizo qualquer discussão concordando contigo: cada um vive a vida da forma que acha melhor e mais conveniente a si mesmo. Como eu já havia dito no meu post, se uma pessoa se entorpece sendo madura o suficiente pra usar isso de forma a não se prejudicar, eu não tenho o que questionar. Até porque, não criei meu post pra dizer que acho que as drogas são uma grande merda e que os usuários são mais merdas ainda. Enfim, acredito que a Julia, você e mais outros tantos que convivemos que fazem parte desse "mundo obscuro" sabem se cuidar muito bem sozinhos. Desculpem-me se ofendi alguém. E, de qualquer forma, bom fumo.
Beijos

Gabriel Bastos disse...

Parece que o assunto principal agora é sobre a questão do auto conhecimento e não dos entorpecentes.

Acho que todos vcs tão olhando pelo prisma errado...

Bem, acho que para se auto conhecer é necessário antes de tudo tentar seque compreender o mundo ao seu redor. O que quase ninguém procura fazer seja entorpecido ou sóbrio, por causa dessa cultaura completamente individualista que rege a nossa sociedade nos dias atuais. Para esquecer o "eu eu eu" é necessário libertar-se desse senso comum

Portanto é uma coisa que parte de vc, só vc pode procurar compreender isso. Em outras palavras: entorpecentes, para mim, não estão diretamente ligados com auto-conhecimento. A não ser que vc precise dos mesmos para procurar conhecer o mundo ao seu redor