quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Um foco desfocado

Lula era um personagem cercado de uma atmosfera pró-esperança, nas eleições presidenciais de 2002. A atmosfera que Gabeira criou é um pouco parecida. Uma onda de esperança e afastar de vez o mal dos grandes oportunistas e salafrários da cidade.

Sou de Niterói, mas de segunda à sexta piso em solos cariocas, além de permanecer por lá quase o dia inteiro. As vezes durmo por lá e acordo com a brisa fresca carregada de fragâncias, que só a primavera pode oferecer, e o sol energizando meu corpo para um dia com muito bom humor e bem-estar.

Assim eu vejo o clima pró-Gabeira. Um intelectual de Zona Sul. Um cara sem papas na língua. Tudo muito bom, tudo muito pra cima. Ele não foi torneiro mecânico. Mas também não governa um país. Lula restaurou a prática de greve em largas escalas em plena ditadura militar. Mas também não seqüestrou o embaixador estadunidense Charles Elbrick em plena ditadura militar.

Agora vem a pergunta do leitor (você): Por que comparar Gabeira com Lula? - é de se pensar. A inquietude do esperançoso, do diferente, da mudança e da prosperidade agitam essa grande onda eleitoral. Posso nomeá-la como "Tsunameleitoral".

Na Tsunami a massa de água localizada sobre a zona deformada vai ser afastada da sua posição de equilíbrio. Ou seja, a praia recua para depois a massa de água voltar em forma de Tsunami. O recuo da água posso comparar com a esperança e o descontentamento da política vigente e a onda de Tsunami como a força da sociedade de colocar alguém que ache mais adequado.

Meu medo é de ter essa esperança novamente corrompida. Aquela história de "já vi esse filme antes" está começando a aparecer. Logo verei a Zona Sul mais Zona Sul que antes e a Zona Norte mais Zona Norte que antes. Tudo tem seu lado bom e o seu lado ruim.

Lula carregou aquele ímpeto de nascer no coração do sertão, um brasileiro que sentiu na pele o que é não ter o que comer no dia e jogar fora o Fome Zero, assim como seu simbólico dedo decepado numa prensa hidráulica. Gabeira carrega o ímpeto de seu passado comunista e revolucionário com aquele olhar 43 (sem trocadilhos) de intelectual nenhum botar defeito, sem falar na discussão da regulamentação da maconha, seu 'armário' que carrega nas costas.

Não conotei certo ou errado. Que fique bem claro.

Engraçado, sabe o que é? Não sei se alguém notou. Mas não citei o nome 'Eduardo Paes'. Mas podem ficar tranquilos que não cito quem não merece ser citado.

Paes, recolha-se a sua insignificância! - como já diria o nosso querido do Sertão, 'Morte e Vida' Severino Cavalcanti.



Próximo Tema: Futilidade

Um comentário:

gabriel-bastos disse...

muito boa a comparação que você fez de lula com Gabeira! Mas só diria que faltou apenas um ponto importante:
Assim como o nosso queridíssimo amigo Lula, Gabeira tem sido taxado de "vira casaca" entre outros adjetivos de conotação negativa querendo dizer "Parcero, onde é que tá aquele espírito da velha utopia de esquerda de outrora?"
A semelhança entre os dois vem seus comentários de uns tempos pra cá quanto a esse tipo de pergunta, tais como "nunca fui de esquerda" (Lula) "O muro de Berlim já caiu caso você não saiba" (Gabeira). E apesar de tais comentários, a imagem que ambos usam bastante para promover suas imagens é justamente algo valoroso desse passado.
Perdoe-me terminar o comentário com um desabafo, mas francamente Gabeira: a utipia da esquerda de uma sociedade sem injustiças sociais nunca teve nada a ver com um muro erguido em Berlim.