terça-feira, 7 de outubro de 2008

Morrer, que me importa?


Essa dicussão sobre a morte, como tudo na vida, é um muito relativa. Não só quanto ao que acontece depois dela mas também como ela é encarada pelas diferentes culturas. Aqui no Brasil nós temos uma visão muito negativa desse fato tão natural. Não entendo por que encarar como tragédia algo que acontece com todo ser humano, planta, microorganismo e bichinho de estimação.

Só pra dar uma noção de que nem em todo lugar é tão sério assim morrer, vou contar uma história. Tenho uma tia que já morou na África daí ela me contou que um dia ela recebeu um convite, parecido com um de casamento, quando ela abriu viu que era o convite para um enterro. Então, nenhum absurdo até aqui, só que a pessoa que seria enterrada naquela semana tinha morrido na verdade um ano antes da data do enterro. A família tinha esperado tanto tempo pra conseguir juntar dinheiro pra festa. Sim, uma festa para o enterro e das grandes.

Pode parecer estranho pra gente, mas pra eles a morte é realmente um motivo de comemoração. Existem outras culturas que encaram a morte assim, que a meu ver é uma forma bem mais saudável de ver o fim da vida a que estamos acostumados.

Outro ponto é o que acontece depois. Todo mundo acredita em uma coisa diferente, pode ser que a gente reencarne, pode ser que vivamos pra sempre em cima das nuvens com os anjinhos (ou não) e pode ser que nossas células só se espalhem pelo mundo e virem árvores, flores e animaizinhos. Mas o negócio é que ninguém sabe mesmo com toda a certeza pra onde vai, e isso dá um puta medo porque o desconhecido dá medo mesmo, é normal. Só que nem todo mundo vê que isso tudo é muito necessário, porque imagina que chatice viver pra sempre nesse mundo sendo sempre a mesma pessoa, ainda bem que imortalidade num existe! Vendo por esse ângulo, é até legal ter que morrer.

No fim das contas o que mais importa disso tudo é que a única certeza que temos na vida, é a morte. Irônico não?
Pra terminar vou pegar uma frase emprestada do Mário Quintana:
"Morrer, que me importa? O diabo é deixar de viver."




Próximo tema: eleições 2008

2 comentários:

karen disse...

"é até legal ter que morrer"; ai,adoro! hahah.
vou contar um segredo..o que acontece com a gente de pois que a gente morre é o que a gente acha que vai acontecer depois que a gente morrer. prontocontei!

Sara disse...

Nós estamos acostumados a ligar a palavra "morte" apenas a ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte e precisamos morrer todo dia. A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação. Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta. A morte nada mais é que o ponto de partida para o início de algo novo, a fronteira entre o passado e o futuro. Se queremos ser alguém melhor e evoluído, precisamos matar em si nosso egoísmo e egocentrismo para que nasça o novo "eu" que desejamos ser. Fernando Pessoa dizia para pensarmos nisso, e morrermos. Mas, não nos esqueçamos de nascer melhores ainda.