sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Um terremoto de consumismo

Mickey Mouse? Saci-Pererê? Bruxa de Salém? Pocahontas?
Papai Noel ganha proporções de bonzinho e perverso jamais imagináveis desde sua criação, na Polônia ou algo parecido. O presente é bom, é ruim, é caro, é barato, é invejoso, é ingrato, é não dado. Ritual presenteador. Ritual gastador. Ritual comercial.




Garoto propaganda da solidariedade e do consumismo, não tem patente em lugar algum. Pois foi tolo o suficiente para deixar sua imagem ser estraçalhada por hienas abastadas que vivem na savana Hollywoodiana. É uma catarse social-midiática. Em ano de uma catástrofe colossal no Haiti, presentes de ouro matam, enquanto água semi-potável ressussita vidas. Num modo literal de se apresentar a questão.

Alemanha doar 2 milhões de EUROS para o Haiti? Só a /gostosa/ da Angelina Jolie mandou U$1 milhão. Michael Jackson se estivesse vivo, venderia alguma parte do seu mundo encantado em prol das vítimas. Lady Gaga é atentada por Paparazzis imaginários enquanto uma menina haitiana é atingida na cabeça. Por um vergalhão e concreto.

Particularmente, me deu uma vontade aterradora de ir pro lugar mais caótico do globo. Mas seriam duas mãos sem estrutura alguma para dar estrutura à milhares de outras mãos. É louvável o trabalho que a MINUSTAH fez até a catástrofe. Conheci de perto militares que largaram nossas terras vastas para dar o mínimo de pilastras e esperanças à pessoas tão calorosas que são os haitianos.



Conversei com o, até então Comandante Militar da Amazônia e primeiro comandante da MINUSTAH, general Augusto Heleno, na capital amazonense, em 2008. Ele relatava a perplexidade dos estadounidenses frente a rapidez de resultados positivos acumulados pelas tropas brasileiras. O general ainda confia um fato a nós (integrantes da PUC-Rio na Amazônia): "O comandante dos EUA perguntou para mim: Qual era o segredo do soldado brasileiro para conseguir tamanha facilidade de pacificação? Respondi que não havia técnica, nem segredo algum. Há no sangue brasileiro a naturalidade do carisma".



O feliz slogan do Exército brasileiro reflete isso muito bem: "Braço forte, mão amiga".

Papai Noel é gordo, velho, barbudo, cafona e preguiçoso. Se você acha que isso é símbolo de fraternidade e solidariedade, respeito os gostos bizarros de uma população cheia de mitos e rituais paradoxais. Se você acha que o Natal acabou de começar, a Embaixada da República do Haiti está arrecadando doações em dinheiro. Para colaborar, podem ser feitos depósitos ou transferências de qualquer banco, mesmo de fora do Brasil, para a conta corrente abaixo:

Nome: Embaixada da República do Haiti
Banco: Banco do Brasil
Agência: 1606-3
CC: 91000-7
CNPJ: 04170237/0001-71

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) também recebe doações só em dinheiro. A entidade não recebe outros tipos de doações em função da dificuldade de enviá-las ao país.

Dados para depósitos ou transferências:

Nome: Comitê Internacional da Cruz Vermelha
Banco: HSBC
Agência: 1276
CC: 14526-84
CNPJ: 04359688/0001-51

O Viva Rio, que está desde 2004 no Haiti, onde desenvolve projetos sociais ligados às áreas de segurança, desenvolvimento e meio ambiente, também abriu uma conta para quem quer fazer doações às vítimas do terremoto:

Banco: Banco do Brasil
Agência: 1769-8
CC: 5113-6

CNPJ: 00343941/0001-28

A ONG Action Aid criou um site e disponibilizou o telefone 0300-7898525 para doações em dinheiro para as vítimas do terremoto.


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3 comentários:

Renata Fontanetto. disse...

um papai noel mais perfeito impossível ;)

desencalhou em ALTÍSSIMO estilo

João Arthur disse...

"PENSE NO HAITI, REZE PELO HAITI..."

Juju disse...

Muito bom, Gabriel! Gostei muito! Muito patriotismo e humanidade no que vc escreveu! hahahaha! Parabéns!