quinta-feira, 8 de abril de 2010

Strip Club

Acaso ainda não percebestes que tudo isso é um jogo?
Ficas aí, parado, a me olhar com estes olhos de gato,
Querendo dar o bote.

Sinto te dizer, mas não sou tua presa.
Aprecio teu entusiasmo enquanto produzo meu show.
Mas não fique iludido, meu bem.
Também existem outros a serem distraídos.

A noite cai e ninguém percebe.
O ambiente esquenta e continua escuro.
Teus olhos de gato continuam fixos em mim, enquanto danço.
Sim, és um gato que mia, nervoso.

Só que não sou teu rato. Tampouco gato ou cão.
Sou uma leoa.

Próximo tema: O que você faz para se sentir melhor?

terça-feira, 6 de abril de 2010

Uma alternativa

Não consigo visualizar uma sociedade alternativa...
Talvez ela não desse certo. Nós nunca tivemos essa expericência, concordo (e quem vier dizer que os hippies foram um exemplo, eu pergunto se foram mesmo: eles buscavam protesto, rebeldia, fugir da imbecilidade da época, mostrar ao mundo o quanto estão tristes com o rumo que ele tomou. Creio eu, que não houve uma conversa, um concentimento em formar uma sociedade alternativa, mas sim uma identificação para com o semelhante e uma maneira de se ajudar, comunicar, sobreviver no mundo de uma só sociedade. A sociedade alternativa dos hippies começou sem eles saberem e acabou sem eles lutarem pelo contrário), mas eu acho que não daria certo.
Não há como duas sociedades conviverem alternativamente. E se formos parar pra pensar, ja vivemos em sociedades diferentes, uma alternativa à outra: a sociedade japonesa, a brasileira, a africana, a indígena, a americana, com seus costumes, linguas, leis...
Não consigo visualizar uma sociedade alternativa...
Talvez seja melhor pensarmos em uma alternativa para a sociedade.

TEMA: OLHOS DE GATO

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Ahh, o amor...

Sem definições. Explicar o quanto a gente fica bobo? Explicar como tudo passa a ser tão bonito? A felicidade é tão gritante que nada nos tira do sério! São as declarações fervorosas... As vozes calmas, a respiração profunda. São as viagens, as fotos, as diversões. São os abraços calorosos, os beijos deliciosos, o olhar que penetra sua alma. São as noites bem dormidas de conchinha, dois em um. É o sexo quase tântrico. São os presentes. São os sorrisos do outro que te deixam tão feliz. O cafuné gostoso, a massagem relaxante, as músicas que os dois ouvem juntos e se lembram quando estão distantes. É olhar para os outros, e ver que ninguém te preenche tanto quanto a pessoa que você ama. É se sentir totalmente sozinho quando está longe dela. É a preocupação, a falta de egoísmo, é a vontade de querer ver o outro sempre bem, sempre feliz, sempre satisfeito. É a tristeza que nos invade quando as brigas acontecem. É quando a gente vai atrás de quem ama e pede desculpas, porque não agüenta ficar longe. É quando as brigas sempre fortalecem o sentimento puro. É a perseverança, os dois abrindo mão de algumas coisas e planejando sonhos. Lutando pra realizá-los juntos. É a vontade de casar, ter filhos, enfrentar tudo e todos pra nunca se separarem. É publicar e extravasar pro mundo o tamanho da felicidade que não cabe dentro do peito. É se completarem. É o sentimento mais sereno, e perfeito quando recíproco. É o que dá sentido pra vida, que fica sem graça quando o amor não existe por perto... É aquilo que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda.

"O amor não possui regras.
Mas conseqüências:
Respeito, carinho;
Erro, perdão;
Corpos, união;
Almas, conjunto.

O amor não possui língua própria.
Só a minha, a sua e a dos outros.
É universal no raro momento em que
estamos sozinhos um para o outro.
Dizendo amor.
Querendo amor.
Fazendo amor...

O amor não recrimina. As pessoas, sim.
O amor não separa. As pessoas, sim.
O amor espera. As pessoas, não.
O amor não cabe em palavras.
Mas conhece o código e a chave dos corações.

Inunda, alastra, contamina. O amor alucina.
Talvez seja esta a nossa sina.
Pelo visto, nada sei do amor.
Mas desconfio de que ele saiba quem somos."


PRÓXIMO TEMA: Sociedade Alternativa

Insuficiência Cardíaca

A boca esconde palavras que o peito teme em dizer
Minha falta de atividade cardíaca me impede de compreender
Então, ouso apenas observar
As mãos, os olhos, os beijos

Começo a respirar ofegante, como se não pudesse ver
Só de olhar, fere
Sinto doer o que resta de tudo aquilo que um dia tive

Me amarga a boca, me aperta o estômago
E nem me lembro porque

Sinto perto um outro coração bater
Tão cheio de vida, não é o meu
Ele pulsa, vibrante
Me inveja

Minha doença incurável, irremediável
Me privou de viver o que todos buscam
Me ensinou a ver beleza na tristeza

É difícil me reconhecer
Nessa insuficiência, nesse medo dele parar de novo
E eu, muito provavelmente, morrer

Alio-me a minha boca que beija e não sente
E canta e escondendo os mais puros versos
Que meu coração ainda teima em criar

Volto a assistir o mundo amante
Esperando algum dia achar a minha cura



Próximo tema: Sociedade Alternativa

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Balanço Geral Línguas Presas 01/04/10

Devido ao sucesso inesperado deste ano, me sinto na obrigação de compartilhar com vocês o que o Línguas Presas tem proporcionado em questão de acessos e alguns dados interessantes.

PS: Só tenho a agradecer à colaboração de TODOS nós e que o Línguas Presas continue ironizando o próprio nome, soltando cada vez mais línguas por aí afora.

Eis os dados:

3,297 visitas de 26 países

6,414 pageviews

Países que mais acessam:

1) Brasil
2) EUA
3) Portugal

Cidades que mais acessam:
1) Rio de Janeiro
2) Niterói
3) Juiz de Fora
4) São Paulo
5) Belo Horizonte

Colaboradores mais assíduos:
1) Gabriel Zambrone (28)
2) Renata Fontanetto (9)
3) João Soares (8)
4) Sara Tellado (7)
5) Clarissa Braga (6)

Posts mais acessados:
1) Ética ou Antiética (autora Pam Weitzel)
2) Não entorpecida penso que... (autora Sara Tellado)
3) Masturbação, Vício Solitário (autora Julinha O.Daniel)

Anos com mais posts:
1) 2008 (a ser batido) [44]
2) 2010 [40]
3) 2009 [25]

quarta-feira, 31 de março de 2010

Multiplicidade

Não há
Não há dualidade no mundo
que me convença que tenho dois lados
Não há controvérsias em mim
que me façam ganhar outro eu

Sou multiplo
Multiplo de sangue,
de sentimentos a mil
de olhares difusos
mirando nos prédios em construção
cada pedaço que falta para me erguer
Me tornar pleno.

Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquele velho espelho
Dualidade falsa e mítica
De alguém que tem só tem dois caminhos:
O de ser e o de não ser.

Sou muitos,
sou nada,
Tudo.

TEMA: AMOR

terça-feira, 30 de março de 2010

Justiça é o meu gozo

A minha justiça não é cega, impessoal e generosa.
Ela é matuta, controversa e asquerosa.

Se faz de santa, mãe de todos, pátria gentil.
Mas no fundo, todos sabem, pede um pileque para sustento próprio.

Cuidado: a balança não tira tara.
Não nasce justa por natureza e nem faz juz aos benditos homens.
Coitados homens.
Precocemente amaldiçoados.

O povo não quer justiça e sorrisos indolentes.
Quer ver sangue. Luta bandida.
Quem sabe até vá às ruas puxar a milésima carnavália do ano.
Tio Ibsen agradece.

Mande um e-mail ao Ibsen.
Peça razões aos Nardoni.
Lembre ao Lula sua greve de fome.
é muito pra você?
Vá na esquina da sua rua perguntar porque durmo aqui.
Respiro ralo.
Sonho com a turbulência.
E me entrego às drogas. à prostituição. a uma vida, que a meu ver, não tem essas palavras.

Perdidas. Há muito tempo.
Por sua culpa.
Justiça seria se você parasse de culpar o sistema.
Quer trocar de lugar?

Próximo tema: A(s) dualidade(s) do ser

domingo, 28 de março de 2010

À minha amante

Aquece meu corpo com teus beijos
Suaves carícias, ondas de prazer
Despe-me da solidão a que habito

Ressuscita meus desejos borbulhantes

Sacia-me como um amante

Deslumbrado por tuas curvas, chegando a sofrer


Contigo lambi os lábios da vida, essa louca entorpecida
À flor da boca, a pele do mar...

Em você encontrei uma libido vadia

Bombeando força

Querendo vibrar


Ama-me sem pressa, com poucas palavras
Com tuas mãos quentes, tua boca molhada

Encontre nos meus braços a porta do paraíso
Prazer tão completo, indecência dos humanos

Seja pelas bocas do profeta, pelas penas do poeta
Vem...


Morro ao saber e sentir que gozas o momento
Que saboreias o instante final
E que bem lentamente você morre
De amor... Amores...
Com o mais suave e delicioso prazer
De viver, de amar, de morrer.


Próximo tema: Justiça

sábado, 27 de março de 2010

Minha realidade fictícia

Se ao menos eu pudesse acreditar no que eu vejo... ah se eu pudesse.
Mas a realidade é tão absurda que muitas vezes nem me parece real.
Eu ando pelas ruas e vejo pessoas, prédios, carros. Nada disso é como é, ou como deveria ser.
É tudo distorcido do natural, fictício. Fico pensando até se não é imaginário.
Será mesmo que tudo é como eu vejo?
Se pararmos pra pensar no que é verdadeiramente natural, veremos um vida toda disforme. Quase como numa ficção científica, onde os genes são modificados e geram um ser altamente tóxico e violento. Nós somos esses seres. Modificados, tóxicos e violentos.
Nós destruímos o que era natural e criamos o que hoje conhecemos como mundo.
Se somos felizes ou não nesse mundo, cabe saber o grau toxicológico de cada um.
No entanto, é bom ressaltar que ainda existem seres que tentam se purificar e ser natural, que lutam para não ser uma aberração. Pessoas que não conseguem aceitar e nem acreditar na realidade, os meus queridos loucos.


Próximo Tema: Taquicardia



Metaforicamente falando

Uma manhã de sol, uma brisa agradável, um término de verão. Não podia reclamar de mais nada, tudo estava bem. Condições favoráveis para se viver alegremente em um mundo repleto de cores. Mas as cores não eram tão vivas e não eram mais minhas. Não eram mais de ninguém. Nada era mais de ninguém.

Indiscretamente, eu percebia a invasão de parasitas no meu ambiente antes tão feliz. Percebi também que um beijo, uma tosse, um "ai", eram motivos de discussão. Percebi que um passo tinha mais chance de ser em falso do que certo. Percebi, então, que nada mais era regido por mim, e sim pelo que os outros achavam do meu mundo: não conseguia sorrir sem imaginar alguém torcendo pra que eu chorasse, não conseguia andar sem imaginar alguém pedindo pra eu cair. Todos à minha volta queriam um furo, ao vivo e a cores.

Mas como?

Minhas cores já tinham desaparecido e tudo tinha virado preto e branco. Era impossivel conseguir congelar um momento em que eu estivesse fora do meu normal. Ou melhor, um momento que eu estivesse fora do meu Anormal.

Acho que eles desistiram, foram embora, e perceberam que existia uma barreira que impedia seus flashes, seus flashes que tiravam as cores da minha vida - ao invés de botá-las - , que tornavam tudo preto e branco...

Nenhum deles conseguiu mudar meu caminho pra espalhar pro mundo meus erros, eu simplesmente fui mais esperta, e saí do centro das atenções. Porque nem sempre estar ali no meio é o que você quer. Eu precisava acreditar que minha vida era muito mais do que um cotidiano vendido por maldade. Eu precisava acreditar que ainda existiam pessoas que torciam pro meu bem.

Eles eram paparazzis da vida, que tentaram medir a importância das minhas atitudes e mostrar pro mundo como eu era imperfeita. Mas ninguém precisava me provar isso, se eu não tivesse defeitos ou não errasse, essa sim, seria a maior das imperfeições.



Próximo tema: Ficção Científica