O jogo começa. Que engraçado, estou de verde e amarelo. Todos estão.
É 2010, ano de Copa do Mundo, é claro que estão de verde e amarelo.
É jogo do Brasil, todos estamos de verde e amarelo.
Todos no mundo vestem as cores de suas bandeiras.
Todos representam as cores de sua bandeiras.
Mas só em dia de jogo,
só em tempos de futebol.
E ontem? E naquele dia que você viu o mundo de cabeça pra baixo?
Todos os dias que as pessoas tem o que você não tem...
Todas as lágrimas dos desprivilegiados...
Todo o abraço inexistente pros desprovidos de carinho.
Tudo as derrotas em campo que não precisam de 11 jogadores:
precisam de todo mundo,
inclusive você.
Que triste.
PRÓXIMO TEMA: VITÓRIA
Bilhões de letras, Milhões de palavras, Milhares de frases, Centenas de Idéias, Dezenas de participantes e apenas UM tema. O resto são zilhões de coisas malucas. Se descubra.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Às reais possibilidades
Andava tanto tempo sumido sem dar notícias...
Um vulto rápido na imensidão da parede branca.
Agarrei-te como uma criança agarra a sombra de Petter Pan.
Seu opostos apostaram na minha disponibilidade
E eu inocente
Me vi detido nas grades do seu seu nome
Que vaga ecoando na minha cabeça.
O prazer que sinto de novo
Não é nada menos que a felicidade de achar compatibilidade.
Ja era tarde para o acaso. Enfim, chegou.
Amar é surpresa!
TEMA: Pátria
Um vulto rápido na imensidão da parede branca.
Agarrei-te como uma criança agarra a sombra de Petter Pan.
Seu opostos apostaram na minha disponibilidade
E eu inocente
Me vi detido nas grades do seu seu nome
Que vaga ecoando na minha cabeça.
O prazer que sinto de novo
Não é nada menos que a felicidade de achar compatibilidade.
Ja era tarde para o acaso. Enfim, chegou.
Amar é surpresa!
TEMA: Pátria
domingo, 27 de junho de 2010
you are the winner
Como em réquem para um sonho sinto meus dentes trincando frente à tv. Sinto meus vícios: olhar, apreciar, comer, degustar, e nada além do que deitar na cama e entrar na onda das minhas ilusões... mas as cores infinitas em minha frente não compensam o barulho do trincar... Resolvo passar uma borracha pra apagar a minha dor, mas estava tudo escrito a caneta: eu não podia mudar o que já estava escrito... tento então virar o rosto, mas uma força muito estranha e proveniente de lugar nenhum puxa meu pescoço para o lado contrário, e ele fica rígido, e simplesmete imóvel - não consigo mexer, não consigo controlar meus impulsos, meu corpo não é mais meu. Pra substituir a sensação insana da minha mente, começo a esticar minhas pernas, pra fazer desapaecer a câimbra inexistente nelas, mas persistentes em meus neurônios... estranho. Meus pensamentos se confudem. Vou intercalando com o consumo das ilícitas, agora correndo em meu sangue e criando um tesão pelas imagens criadas pela minha propria criatividades. A parede se comprime num tamanho que caberia na palma da minha mão, e eu virei alice num mundo não tão maravilhoso. Fiquei com um vestido azul num campo verde com flores roxas, sem cogumelos e anões, mas gigantes olhando lá de cima pra mim, como se eu fosse insignificante nessa vida, mas devo ser. Meus dentes continuaram trincando e eu tinha esquecido do meu vício - havia o substituido pela dor incessante da minha câimbra mental. As paredes alargaram, mas escureceram, de brancas passaram a ser cinzentas, grafites, o grafite que não havia na minha caneta.... eu não conseguia apagar as paredes, nem trocar de vestido, nem pular na grama. Então a câimbra possuia minhas pernas imóveis, meus pescoço rígido e minha mente perturbada... eu estava câimbreada... voltei a escutar o som estridente da televisão, consumindo meus ouvidos, rasgando meus tímpanos, até arranhar minha garganta... de repente eu só escutava um fino e infinito barulho, irritante como uma criança puxando sua blusa e pedindo por um brinquedo. Irritante, o som era contínuo... puxei meus cabelos, meu vestido azul, peguei uma flor roxa e botei nos meus cabelos puxados... eles saíram da minha cabeça e foram andando até a televisão - representação tecnologica em meio a disputas florais. A tv desligou sozinha, meu cabelo voltou a minha cabeça, mas o som continuou estridente, fazendo minha mente cãimbreada se apagar e entrar em um sono profundo, procurando por um sonho que nunca existiu... tudo por culpa das ilícitas.
Eu acordei, e de repente me vi sentada, na minha cama, em frente a tv, em casa, sã. Sem saber se tudo aquilo tinha realmente acontecido ou foi tudo fruto da minha imaginação... eu me perdi, e começou tudo de novo.
PRÓXIMO TEMA: O TEMPO.
Eu acordei, e de repente me vi sentada, na minha cama, em frente a tv, em casa, sã. Sem saber se tudo aquilo tinha realmente acontecido ou foi tudo fruto da minha imaginação... eu me perdi, e começou tudo de novo.
PRÓXIMO TEMA: O TEMPO.
sábado, 26 de junho de 2010
Do Re Mi Fa Sol, muito sol
Eu arrebentava elásticos quando mais novo e prendia uma extremidade e deixava outra presa à minha mão para que eu pudesse esticar mais ou menos para dar petelecadas de sons agudos e graves sem muito compromisso. Nesta mesma época, panelas e colheres de pau eram a bateria dos meus sonhos momentâneos. Eu era a bateria da Viradouro, era o baterista do George Michael e dos Guns N Roses. A rádio que eu ouvia ainda na vitrola do meu antigo apartamento estava riscada com grafite as melhores estações, quando já vi, estava ouvindo programas de música dance/eletrônica com 6 anos, sabendo o nome dos melhores Djs do Rio e do mundo.
Quando tinha 5 anos, imitava Michael Jackson de costas para minha família. Uma forma de fazer a vergonha ir embora e me fazer sentir o rei do pop por 4 gloriosos minutos. Me destacava desde novinho nas festinhas por me deixar levar pela vibração da música. Nas festas matinês que frequentava perguntavam constantemente se eu fazia parte de alguma aula de dança, como hip-hop ou dança de rua. Enquanto as pessoas revelavam suas vergonhas eu quebrava este mito ressonando a música com meu corpo.
Virei Dj aos 14 anos com ajuda de um amigo, tudo era tão novo e aprendi que não tocava pra mim. Eu tocava para as mulheres. Tocando para o coração e corpo das mulheres, elas apareciam e como consequência, eles iam atrás. Resultado? Festa completa! E até parece que muita gente não sabe que a música foi feita para 'elas'. Por causa delas que incontáveis músicas se tornaram verdadeiros mitos, clássicos e hits dos hits. Falo de música clássica até o funk do 'só love'.
No momento ouço um baita musicão, 'Jamiroquai - Cosmic Girl' do DVD Live at Montreux 2003. 'She's a cosmic girl', diz o refrão. Pelo groove e a forma que a letra é levada dá pra sentir o sex appeal intenso que é essa garota cósmica... Sem falar no groove que o jamiroquai se inspira: James Brown, o Rei do Groove e Michael Jackson (ontem, fez 1 ano de sua morte), o Rei do Pop.
Se for falar da world music, passando pela brasileira, pela argentina, pela francesa, cubana, jamaicana, africana e sobretudo todas as regionais, a música se realoca como sinônimo de atmosfera artificial. Não menos gostosa que a original, mas como um tempero pra lá de gostoso ou não. Dependendo do acompanhamento, o prato principal pode perder pra sobremesa, ou dependendo de que qualidade for feita, o restaurante é fechado.
Como tenho o monopólio deste post que escrevo, tomei a liberdade de citar minhas maiores influências musicais. Algumas. Algumas de inúmeras. Então, lá vai:
- Guns n Roses
- Michael Jackson
- George Michael
- Jamiroquai
- Madonna
- Metallica
- Chemical Brothers
- Beatles
- Fatboy Slim
- Prodigy
- Green Day
- Oasis
- Nirvana
- Foo Fighters
- Dee-Lite
- Cássia Eller
- Jota Quest
- Gotan Project
- REM
-Silverchair
- Rage Against The Machine
- Audioslave
- Cidade Negra
- Carlos Santana
- Djavan
- Moby
- Dead Fish
- Queens of The Stone Age
- Beastie Boys
- Nação Zumbi
- Mombojó
- Los Hermanos
- New Kids On The Block
- Coldplay
- The Strokes
- Planet Hemp
- Raimundos
- Paralamas do Sucesso
E por falar em Jamiroquai...
Próximo tema: Bad Trip
Quando tinha 5 anos, imitava Michael Jackson de costas para minha família. Uma forma de fazer a vergonha ir embora e me fazer sentir o rei do pop por 4 gloriosos minutos. Me destacava desde novinho nas festinhas por me deixar levar pela vibração da música. Nas festas matinês que frequentava perguntavam constantemente se eu fazia parte de alguma aula de dança, como hip-hop ou dança de rua. Enquanto as pessoas revelavam suas vergonhas eu quebrava este mito ressonando a música com meu corpo.
Virei Dj aos 14 anos com ajuda de um amigo, tudo era tão novo e aprendi que não tocava pra mim. Eu tocava para as mulheres. Tocando para o coração e corpo das mulheres, elas apareciam e como consequência, eles iam atrás. Resultado? Festa completa! E até parece que muita gente não sabe que a música foi feita para 'elas'. Por causa delas que incontáveis músicas se tornaram verdadeiros mitos, clássicos e hits dos hits. Falo de música clássica até o funk do 'só love'.
No momento ouço um baita musicão, 'Jamiroquai - Cosmic Girl' do DVD Live at Montreux 2003. 'She's a cosmic girl', diz o refrão. Pelo groove e a forma que a letra é levada dá pra sentir o sex appeal intenso que é essa garota cósmica... Sem falar no groove que o jamiroquai se inspira: James Brown, o Rei do Groove e Michael Jackson (ontem, fez 1 ano de sua morte), o Rei do Pop.
Se for falar da world music, passando pela brasileira, pela argentina, pela francesa, cubana, jamaicana, africana e sobretudo todas as regionais, a música se realoca como sinônimo de atmosfera artificial. Não menos gostosa que a original, mas como um tempero pra lá de gostoso ou não. Dependendo do acompanhamento, o prato principal pode perder pra sobremesa, ou dependendo de que qualidade for feita, o restaurante é fechado.
Como tenho o monopólio deste post que escrevo, tomei a liberdade de citar minhas maiores influências musicais. Algumas. Algumas de inúmeras. Então, lá vai:
- Guns n Roses
- Michael Jackson
- George Michael
- Jamiroquai
- Madonna
- Metallica
- Chemical Brothers
- Beatles
- Fatboy Slim
- Prodigy
- Green Day
- Oasis
- Nirvana
- Foo Fighters
- Dee-Lite
- Cássia Eller
- Jota Quest
- Gotan Project
- REM
-Silverchair
- Rage Against The Machine
- Audioslave
- Cidade Negra
- Carlos Santana
- Djavan
- Moby
- Dead Fish
- Queens of The Stone Age
- Beastie Boys
- Nação Zumbi
- Mombojó
- Los Hermanos
- New Kids On The Block
- Coldplay
- The Strokes
- Planet Hemp
- Raimundos
- Paralamas do Sucesso
E por falar em Jamiroquai...
Próximo tema: Bad Trip
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Vela da madrugada
Eu vou direto ao ponto porque o prazer é uma fruta que se come madura; é a adrenalina que se converte em combustível; é a vontade de não parar. Já lhe perguntaram se existe algo que poderia nunca acabar? O prazer é findável, todos sabemos. Mas pode se tornar infinito em sua breve finitude.
Todos almejam. Poucos conseguem. Ah! Imaginem só o prazer em cápsulas. Para mim mera banalização de algo tão rico. Ou então, prazer injetável. Compraríamos ali no buteco do seu Manoel, esconderíamos em buestras calcinhas e calções e partiríamos rumo à felicidade. Vivenciaríamos um apocalipse, ao menos, prazeroso.
E a sensação? Aquela pontinha de arrepio inicial. Uma onda crescente de estímulos involuntários e paralíticos. Um não pensar consciente. Um vulcão em erupção.... Eureka!!!!
O prazer é a mulher capaz de fazer desperta-se em chamas. É o homem sendo um verdadeiro homem. São as coisas prosaicas que se tornam vida. É a vida em seus mais que cinco sentidos.
Simples.
Assim.
Next topic: A música
Todos almejam. Poucos conseguem. Ah! Imaginem só o prazer em cápsulas. Para mim mera banalização de algo tão rico. Ou então, prazer injetável. Compraríamos ali no buteco do seu Manoel, esconderíamos em buestras calcinhas e calções e partiríamos rumo à felicidade. Vivenciaríamos um apocalipse, ao menos, prazeroso.
E a sensação? Aquela pontinha de arrepio inicial. Uma onda crescente de estímulos involuntários e paralíticos. Um não pensar consciente. Um vulcão em erupção.... Eureka!!!!
O prazer é a mulher capaz de fazer desperta-se em chamas. É o homem sendo um verdadeiro homem. São as coisas prosaicas que se tornam vida. É a vida em seus mais que cinco sentidos.
Simples.
Assim.
Next topic: A música
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Maciez surda e muda
Tuas bordas engalfinhadas, formatos múltiplos, maciez de uma noite úmida sem pecados, tesão mal tratado e teu símbolo de cápsula protetora. Tantas qualidades para quem sonha em te tacar de um lado para outro. Sonha em te rasgar em trapos penosos, em sonhos afáveis e infantis. Enfeita meus aconchegos, vira bebê recém nascido nas mãos suaves, nas calejantes.
Traga as memórias de corpos amassados contra o teu, novos perfumes dos quais não foram meus. Os fios de cabelos esquecidos em teu colo. Loiros, ruivos, morenos ou grisalhos. Íntimos pelos meus, ou de outrém. Não esqueças do charme que me ajudara em outrora. Com amigos, amores e status quo. És, no fundo, uma parte de tudo isso. O fundo em que me repouso, em que posso enfiar a cara de frio e retornar com bafo de calor. O fundo em que já enxugou lágrimas de amores perdidos, de amores sofridos. Tudo sem tua culpa.
Já viraste presente de aniversário, de dia dos namorados, de dia dos carentes desaconchegados. Tornaste simbolo de noites bem dormidas. Não és substituto de colos amorosos. És meu colo amoroso particular, desde sempre. És minha parede muda, meu chão macio. Meu sexo confortável, minha coluna bem colocada, minha perna entrelaçada. Meu conforto de pensar no desconfortável.
Sinto não poder ouvir tudo o que tens pra me dizer. Não tenho noção nem se isso é possível. Já vi tanta coisa neste mundo que até duvido das dúvidas usuais. Só me resta aliviar minha mente, aquela que massageia toda as pernoites, e lhe agradecer pelos 22 anos de histórias que já presenciou, que já testemunhou junto à mim e ao nosso eterno ménage à trois.
Almofada, travesseiro e colo, meu eterno muitíssimo obrigado.
PRÓXIMO TEMA: Prazer
Traga as memórias de corpos amassados contra o teu, novos perfumes dos quais não foram meus. Os fios de cabelos esquecidos em teu colo. Loiros, ruivos, morenos ou grisalhos. Íntimos pelos meus, ou de outrém. Não esqueças do charme que me ajudara em outrora. Com amigos, amores e status quo. És, no fundo, uma parte de tudo isso. O fundo em que me repouso, em que posso enfiar a cara de frio e retornar com bafo de calor. O fundo em que já enxugou lágrimas de amores perdidos, de amores sofridos. Tudo sem tua culpa.
Já viraste presente de aniversário, de dia dos namorados, de dia dos carentes desaconchegados. Tornaste simbolo de noites bem dormidas. Não és substituto de colos amorosos. És meu colo amoroso particular, desde sempre. És minha parede muda, meu chão macio. Meu sexo confortável, minha coluna bem colocada, minha perna entrelaçada. Meu conforto de pensar no desconfortável.
Sinto não poder ouvir tudo o que tens pra me dizer. Não tenho noção nem se isso é possível. Já vi tanta coisa neste mundo que até duvido das dúvidas usuais. Só me resta aliviar minha mente, aquela que massageia toda as pernoites, e lhe agradecer pelos 22 anos de histórias que já presenciou, que já testemunhou junto à mim e ao nosso eterno ménage à trois.
Almofada, travesseiro e colo, meu eterno muitíssimo obrigado.
PRÓXIMO TEMA: Prazer
terça-feira, 1 de junho de 2010
Lente de AUMENTO
Posso correr até no asfalto
que escorrego
Passo a mão sob meus olhos
eu esfrego
A um palmo do meu rosto
não enxergo
Tudo isso quando o caminho
está deserto
Mas você chega e me oferece a mão
"Oi, faminta. Você quer um pão?"
O que era pequeno ganha TAMANHO
O que era perda vira GANHO
O turvo ficou CLARO para mim
Quem diria que o MUNDO era BELO assim
Finalmente ENXERGO as FLORES!
E sou capaz de DINSTINGUI-LAS pelas CORES!
Vejo PÁSSAROS, ÁRVORES E GENTE
Vejo FRIO, MORNO E ATÉ QUENTE
Vejo SAL, DOCE E SEDENTO
Vejo ÁSPERO, LISO E GRUDENTO
ARREPIOS, SONHOS E FANTASIA
SONS, HARMONIA E MELODIA
SENSAÇÕES, BRILHO E SINESTESIA
Vejo TUDO aquilo que eu antes não podia
A vida deixou de ser tormento
Você me trouxe uma LENTE DE AUMENTO
Deixei para trás minha visão
E passei a ENXERGAR com SENTIMENTO
PASSEI A ENXERGAR COM SENTIMENTO!
Deixei pra trás minha visão
Você me trouxe uma lente de aumento
A vida deixou de ser tormento
Vejo tudo aquilo que eu antes não podia
Sensações, brilho e sinestesia
Sons, melodia e harmonia
Arrepios, sonhos e fantasia
Vejo áspero, liso e grudento
Vejo sal, doce e sedento
Vejo frio, morno e até quente
Vejo pássaros, árvores e gente
E sou capaz de distingui-las pelas cores!
Finalmente enxergo as flores!
Quem diria que o mundo era belo assim
O turvo ficou claro para mim
O que era perda virou ganho
O que era pequeno ganhou tamanho
"Oi, faminta. Você quer um pão?"
Mas você chega e me oferece a mão
Está deserto
Tudo isso quando o caminho
Não enxergo
A um palmo do meu rosto
Eu esfrego
Passo a mão sob meus olhos
E escorrego
POSSO CORRER ATÉ NO ASFALTO!
Próximo tema: Almofadas
O tudo virou nada
Você não precisa de muito para tropeçar. Nenhum grande abismo, nehuma pedra no caminho, nada, absolutamente nada.
Basta uma palavra ou uma ação que você julga ser a mais apropriada para o momento. Mas ela desvenda-se ser um verdadeiro abismo.
Desmoronamento interno. Conhece?
Puta merda.
Sabe quando você grita por dentro... doi de ver. Ninguém te ouve. Ninguém entende. Ninguém é você naquele momento. Só você.
Ou como muitos dizem: só Jesus. Mas nem Jesus está com você naquele momento: ele está ocupado demais chorando...
Depressão.
Conhece?
Eu queria ter tempo de ver meus amigos. Eles são, na maioria das vezes, o fio ao qual me agarro na esperança de não cair no caos. Mas... eles não estão aqui.
Estou nua, tremendo de frio, com a cabeça latejando de dor e eu não consigo parar de chorar. Estou aqui há tanto tempo, presa nesta queda, que a única coisa que ouço é o som do meu eco. Mas faz tanto tempo, que nem força mais eu tenho pra nada. Sequei, inclusive.
Sabe o que eu mais quero?
Que você enxergue que tem alguem que precisa de ajuda. Eu preciso.
Declaro publicamente.
próximo tema: Lente de aumento
domingo, 30 de maio de 2010
Não sou hipócrita, sou cristã!
Eu não dou o cu. Não faço sexo com estranhos. Alias, eu só faço sexo com meu marido e só fiz depois que casei. Eu não falo mal dos outros. Não bebo cachaça. Não falo palavrão. Não escuto funk. Eu sou uma pessoa muito boa. Eu amo todo mundo. Acho todas as pessoas legais. Eu acho muito feio quem é falso. Até porque eu sou muito verdadeira. As vezes eu erro. Mas me confesso.
O Padre Pedro é meu confessor. Ele malha lá na academia. Ele tem um físico bom. Mas fico indignada com as mulheres que o chamam de gostoso. Isso é absurdo. Eu estou sempre com o Padre Pedro. Já o vi até de cueca. Mas nunca fantasiei nada com ele. O único homem que me deixa excitada é meu marido. Eu nem olho pro lado. Acho um absurdo essas mulheres de hoje que ficam cheia de fogo falando de homem.
Outra coisa que me assusta. Maconha. As pessoas acham que fumar maconha é natural. Eu não fumo. Nem sou amiga de quem fuma. Não preciso disso pra ser feliz. Nenhuma dessas drogas. Eu só bebo vinho em momentos especiais com meu marido. E champanhe em casamentos.
Eu nunca desobedeci meus pais. Nunca menti pra eles, nem pro meu marido. Nunca matei aula. E nunca colei. Tenho orgulho disso. Eu ando certa. E fico entristecida com as coisas erradas desse mundo. Essa necessidade voraz de ser feliz. Essa falta de moralismo de hoje em dia. Eu sou assim. Não sou hipócrita, não mesmo. Acho que é bom viver assim. Fazer o que Deus manda. E ir pro céu quando eu morrer. Amar meus irmãos aqui na terra e fazer só o bem. Até mesmo pra quem quer meu mal.
Que o Senhor os abençõe!
Próximo Tema: Queda.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
O trem do tempo apitou
Seus ossos vão doer. Sua vista vai falhar. Seus filhos vão crescer. E seus amigos de longa data, provavelmente, não estarão mais aqui. Você vai se perguntar por que viveu tanto?
Mas tem dias que eu me sinto como me sentia há 50 anos. Jovem. Forte. Vivo.
É, eu não tenho o mesmo pulmão. E minha cabeça já mudou tanto que nem me lembro como ela era. Eu até poderia pensar - ah! se eu tivesse essa cabeça há 50 anos - mas prefiro pensar no desafio de lembrar como minha mente funcionava. O que eu era, já não sou. Ah! mas que saudade de ser. Eu achava que podia conquistar o mundo. Fazia um plano novo a cada dia. Me lembro bem de sonhar em conhecer o Egito ou até mesmo de passar aquele final de semana em Petrópolis com a velha. Não aconteceu. Não posso dizer mais sobre, pois minha memória fraca me impede.
Recordo-me quando meu primeiro filho nasceu. Mas já não pensava mais como gostaria. A preocupação era maior. Não era apenas a minha vida. Lembro de quando minha filha mais nova se formou e aquele imenso vazio que ficou. Eu já não me reconhecia. Meu rosto estava tão diferente. Não notei todas aquelas marcas aparecendo. Obviamente, um homem da minha época não deveria se importar com sua aparência. Confesso, me assustei. Não era vaidade. Era só o tempo me pressionando contra o espaço. Fiquei com medo. Medo de morrer, de esquecer. Passei a pensar na minha inexistência. Como seria o mundo sem mim? O que eu faria quando acabasse. Meus ossos, minha vista cansada pouco me importava. Não eram as dificuldades de ser velho que me afligiam. Era o pouco tempo que hoje ainda menor me resta. Passaram-se 10 anos que minha caçula se formou. E hoje é meu aniversário. Faço 70 anos. Meus filhos e netos estão me esperando descer para a festa. E aqui estou eu... pensando como pensava há 5o anos.
Quando você fizer 70 anos vai sentir saudade de tudo o que lembra e até do que não lembra. E nesse dia vai sentir vontade de não carregar o peso de uma cabeça velha sobre o pescoço fraco.
Vai chorar, como eu choro agora... de saudade. de tristeza. de alegria. Por ter vivido muito em tão pouco tempo. E sentir o vazio de ter pensado pouco sobre o como pensava.
Próximo tema: Monofobia.
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