Bilhões de letras, Milhões de palavras, Milhares de frases, Centenas de Idéias, Dezenas de participantes e apenas UM tema. O resto são zilhões de coisas malucas. Se descubra.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Ao Anjo.
Quanto tempo a mais para que voltes?
Quanto pra curar a mesma ferida?
Volte logo, porque encontro-me em partes.
A saudade, subindo em espirais
Quero sentir tua dor e prazer
E novamente, quanto tempo mais
Para que possa nosso amor crescer?
Anjo meu sem asas nem compaixão
Que meu corpo e minha alma dilaceras
Parte-me as veias, finda o coração
Que sabes o quanto que lhe esperas.
Faça tuas asas e dê partida
Novo amor, novo prazer, nova vida.
Próximo tema: FESTA.
Cheiro
Esse cheiro que é só teu
Esse cheiro que é só nosso
Tira tudo e encosta aqui em mim
Tira devagar e só encosta, não diz mais nada
Me cheira
Cheira esse meu cheiro de corpo nú
Pronto. Sou tua.
PRÓXIMO TEMA: ANJOS
Cultuado
Que crescem para baixo
Enveredando-se na base desequilibrada
Do que chamam de amor
Na prática de amar
O contrário do que se diz
É a verdadeira face
Do que não se vê
É quase tudo
De frente para o espelho
Vendo-se quase nada
É o copo de vinho esquecido
Pela amnésia da embreaguês
Calibrada
Do poco de vinho tomado.
PRÓXIMO TEMA: DESPIR.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Não bebo sim e to vivendo...
Participei ano passado de reuniões dos narcóticos anônimos para uma reportagem sobre o crack que foi para a CBN. Imagino que as reuniões dos alcóolicos anônimos não tenham tanta diferença. As drogas são diferentes, mas continuam sendo drogas. Não entendo quem recrimina a pessoa que fuma maconha uma vez por semana, e vai todo domingo para um boteco beber umas cervejinhas. É tudo droga. Uma lícita, a outra não. A devastação no corpo não depende tanto da droga e sua legalidade e sim da pessoa e de sua propensão ao vício.
A imagem que a televisão mostra na maioria das vezes é que o alcóolatra sempre é um homem, pai de família, que abandona tudo por causa do problema (com excessão da novela Viver a Vida, com a Renatinha alcóolatra e bulímica [ou anorexa, não acompanho muito]). Provavelmente antigamente realmente (quanto mente) parte esmagadora faziam este perfil. Mas hoje com a liberdade da mulher, o direito dela fazer as mesmas coisas que o homem, tanto no trabalho, como na cama (grande número de lésbicas hoje em dia), faz com que tenha mais mulheres sofrendo as "mazelas do homem"...
Ps: Serei processada depois deste texto pelos alcóolatras, apoiadores do álcool, narcóticos, feministas e por meus professores de Jornalismo, por causa do meu texto opinativo!
Próximo tema:
Amor platônico
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Desabafo Construtivo
Eu sabia que era mais uma vez que minha fraqueza apareceria diante do nosso falso amor: eu sabia que você acariaria meus cabelos, como quem não fez nada, como quem quer esquecer que fez alguma coisa... você tocaria meus lábios, lembraria nossos apelidos, me jogaria na cama e o resto é detalhe... eu sabia que mais uma vez escorreriam lágrimas dos meus olhos quando eu estivesse nua ao seu lado, por saber que fui novamente vencida pela minha fraqueza... eu sabia, mas deixei tudo acontecer.
Prometi pra mim mesma que seria a ultima vez vendo você parado a porta de braços cruzados, porque eu não deixaria mais você esperando pelo meu retorno, eu não ia mais voltar, eu não queria mais ficar entre as grades, sem conseguir enxergar alem delas por falta de luz... eu não queria sentir mais seu lençol da semana passada, sua calça jogada no chão, seus vícios, suas palavras, eu não queria mais sentir sua pele encostada na minha, e por isso comecei a sentir nojo de mim, nojo da minha fraqueza, da MINHA inconsequencia... da minha culpa, não da sua... comecei a sentir nojo de mim...
Prometi mesmo que seria a ultima vez, porque ainda existia dentro de mim um amor proprio maior do que por você, indiscutivelmente maior, por incrivel que pareça... Eu sabia que sofreria com a tua ausência, sabia que sentiria saudade das brincadeiras, dos apelidos, de estar chorando nua ao teu lado, de você secar minhas lágrimas com suas mãos encaixadas nas minhas... eu sabia que não haveria ninguém como você... mas eu não poderia permitir continuar na fragilidade eterna do medo de assumir que não preciso mais de você.
Eu não preciso mais de você, na verdade, nunca precisei.
Você foi só mais um motivo pra eu dizer que alguém é a minha metade, pra tentar completar o vazio que a vida por si só conseguiu cavar em mim, mas percebi que só eu mesma sou capaz de me completar, eu sou metade da minha laranja...
FODA-SE, eu cansei de ver você me esperando na porta,
eu cansei de esperar por você na vida,
eu cansei da vida com você.
PRÓXIMO TEMA: ALCOOLISMO
Hoje
Não quer dizer que caímos numa rotina,
nem que precisamos fugir do óbvio.
A nossa dança ainda me encanta,
ainda quero o seu suor na minha pele.
E, olha, se isso te consola,
eu também não sei como vai ser.
Eu só sei que eu quero que seja, e que seja agora.
Só sei que hoje minha vontade tem medida, tem número, tem nome.
Hoje eu preciso de uma a mais na nossa cama,
hoje eu preciso ficar no meio,
hoje é três ou é nada.
Amanhã nós podemos ser dois,
mas hoje deixa o dois para depois...
Hoje eu preciso que três seja par.
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Próximo tema:
Foda-se
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Bicho-da-Luz
Olhos abertos, bem cegos
A muralha que usurpa meus sentidos
D'eu não sei mais
Carrego a tua ternura como contraponto
Sua inconstância excita minha dor
Um distúrbio de atenção hipnotizante
Sufoca minha história
Corta na n'altura do meio-fio
Sedução póstuma me ressucita
O olhar de cima me procura
Sempre me mira
Sempre me acerta
Me dilacera por todos os cantos
Os cantos que escondem toda essa dramaturgia
Nenhuma cirugia dura tanto
Tem tempos que seguro meu pranto tenáz
Um cano de escape interno
Cavalga no meu corpo uma esperança
Respiro cada segundo esperando
Intensidade jogada fora
Abro a camisa
Bate o frio em meu peito
Meus sonhos brilham como cetim
Porque quero-te junto a mim
Mas não tenho minha carícia sempre que preciso
Minha delícia sempre que tenho fome
A imprevisão me hema-toma
Quero falar
Não quero perder
Quero deixar
Mas não quero perder
É uma luz, eu sou o bicho-da-luz
Cego. Insistente. Friorento.
Quero o teu calor verdadeiro
Jorra pra mim tua presença
Me engalfinhe seu passado
E, finalmente, faça de mim teu futuro
Mostro meu tango com seu samba
Meu coração argentina a sua brasilidade
Sua futilidade não ganha, nem de longe, sua culturalidade
Nunca escrevi algo tão assim
Pois depois de anos percebi
Qual luz quero enxergar
Ou sentir
Veja, meu amor não é assim
Não conheces meu amor
Ele não é assim
Ele é assado
Temperado
Um pouco de vinho branco
Um pouco de cachaça
Gosto tanto quando me abraça
Sei que é entregue
Quando me madruga, acorda meu coração
Quero dar beijos de tesão
Olhar pro céu da pálpebra
E sentir meus pêlos terem sentido
Quero sair por causa desse texto
Mas quero ficar por causa desse pretexto
Da jóia que brilha e é lapidada
Desejo te fazer amada
A sua diversão me diverte
Mas quero ficar inerte à sua volta
Escrever com um hidrocor
Tudo que podes não ler muito bem
O seu corpo e meu sentimento em palavras fincadas
E depois lavar com a mangueira
Todo esse vermelho
Toda essa cegueira
Intensa de te ter
[Você.
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Próximo Tema: Ménage à Trois
enclausuramento involuntário
Num momento sem nexo
Num mundo previsto
Preso no vazio de um balanço imaginário
de uma vida sem fantasias
de uma linha uniforme e eterna, sem bifurcações
Procuro uma lâmpada, vela, isqueiro
procuro por uma porta mais clara, um ar mais fresco,
pois estou preso
estou preso na eternidade de uma rotina sem fim
sufocando-me aos poucos na tua vida sem mim
sem querer pisando nos seus calos
nas suas feridas causadas no ontem
na sua indignação perante a minha felicidade
Inveje-me, mas não tente destruir todo o passado
não tente tirar o que foi teu, o que é meu
não tem mais 'nosso', um mundo preto e branco
até que eu gosto disso.
Mas o sufoco continua, tirando meu ar
meu sorriso, meu embalo da alma, minha vontade de viver
pra que a infelicidade se tenho você?
tirando meu prazer, você me trancou nesta merda,
entre quatro paredes
escuras.
nesta merda sem janelas, sem portas, nem varanda.
queria eu meus azulejos beges escuros, encostados no rodapé da minha varanda, com o vidro transparente e rede a prova de crianças inconsequentes (ou adultos suicidas).
queria eu esta varanda, pra sentir o ar que você não me deixa respirar.
PRÓXIMO TEMA: DESILUSÃO
Interior de nós
Que se espera que o homem enfrente
Não são as mínimas do segundo mais lento
As mais importantes do coração
Essas são imperceptíveis
Folhas brancas
Em branco, sem palavras
Um vírus invisível
Que contamina a parte do perceptível
E essencial.
Acende as luzes
Ofuscando a visão do seu próprio quarto.
PRÓXIMO TEMA: VARANDA