quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Continuando a viagem anterior

Lá vai... Opinião sobre entorpecente vindo de uma usuária não tão frequente de drogas leves, mas que gosta de dar uma viajada de vez em quando, pseudo-psicóloga e parente direta de alcoólatra.

Concondo em parte com tudo que foi dito no post anterior, a exceção da parte que diz: 'Eu mentiria se dissesse que não tenho nada contra drogas porque eu tenho sim'. Eu não tenho nada contra as drogas, eu tenho muita coisa contra pessoas que fazem uso abusivo de drogas, qualquer uma delas, e também não concordo com maior parte do quarto parágrafo, não exatamente da parte que se expressa a vontade de Sara de ter seu auto conhecimento através de vias ditas normais, a vida é dela e ela se conhece como ela quiser, mas a ideia geral.

Bom tentando explicar da melhor forma, a parte consciente de nós mesmos, todos conhecemos 'de cor e saltiado'. A forma que agimos em situações cotidianas são previsíveis. A parte inconsciente de nois é que é o grande mistério. Ela que nos faz agir de forma surpreendente, e raramente se mostra para o mundo. Essa parte obscura do nosso ser, que fica abaixo da casca formada pela nossa consciência, e que guarda todas as nossas verdadeiras vontades, nossos sonhos mais inatingíveis, que podem ser tão cruéis que escondemos muito fundo.

Bom mais ou menos o que queria esclarecer é que, nos conhecermos por conta própria é praticamente impossível, já que parte de nós não quer ser descoberta, e outra parte não suportaria conviver com aquilo que tentamos reprimir. As drogas, são um instrumento muito perigoso e ao mesmo tempo eficaz nesse sentido, o ópio, por exemplo, era muito usado com essa finalidade, muito eficiente, mas muita gente ficou louca depois de experimentar.

Não existe forma segura de nos conhecermos de verdade, nem a terapia é recomendada em todos os casos, e muita gente se contenta (e muito) em conhecer só a casca, e faz uma força enorme pra manter o resto bem contido e recalcado, mas fumar um beck ou tomar um porre de vez em quando ajuda a ter uns 'insights' sobre algumas coisas, se entorpecer de vez em quando também põe a cabeça pra funcionar.

(pagar futuros profissionais assim como eu também ajuda)

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Próximo tema continua: Arrependimento

Não entorpecida, penso que...

Quando penso na palavra entorpecente, me remeto a seu significado na própria gramática. 'Entorpecer é enervar; tirar a energia; enfraquecer; desfalecer; desorientar-se; desalentar-se'. Confesso que a primeira vez que li não havia entendido bem o tema proposto e o pouco que li e tentei entender me remeteu a drogas e entorpecentes de uma maneira geral. É um assunto delicado, que eu nem gosto muito de tratar por soar como ofensa para alguns, mas acho que hoje é uma das poucas oportunidades que tenho de raciocinar e me expressar melhor, e aproveito o tema pra expandir e falar sobre esse mundo a qual não pertenço diretamente. Sei que isto vai ficar extremamente extenso e até cansativo, mas quero ter a consciência tranqüila de que pelo menos expus melhor o que penso; ainda mais eu, que me acho melhor na escrita do que na fala.

'Em farmacologia, os entorpecentes são designados pelos psicotrópicos que têm por principal função embotar ou insensibilizar a pessoa. Trata-se principalmente dos opiáceos, designados também de narcóticos; É aquilo que traz torpor, sono. Segundo Giuseppe Di Gennaro, o termo entorpecente acentuaria o aspecto do efeito provocado pela substância. Termo com conotação generalizada, que, na opinião popular, refere-se às drogas em geral'.

Eu mentiria se dissesse que não tenho nada contra drogas porque eu tenho sim. Não tenho contra QUEM faz uso das mais comuns, como álcool, cigarro ou maconha, porque essas pessoas se julgam suficientemente maduras pra terem motivos para usar. Sei que uma boa maioria sabe medir as conseqüências, e o ponto em que essas drogas mais comuns lhe fazem bem ou mal, e onde isso pode interferir ou não no seu convívio social positiva ou negativamente. Mas quando diz respeito a drogas alucinógenas, como o LSD e cogumelos; psicotrópicas, como cocaína, crack, ecstasy; e outras depressivas além da maconha, como a heroína; sou absolutamente contra, porque acredito que elas causam na maioria das pessoas um grau muito maior de despersonalização e eu não sou nem um pouco a favor disso. 'Em síntese, a ação de qualquer entorpecente é uma série de distúrbios psícossomáticos. A sua ação se faz sentir sobre o cérebro, entorpecendo-o, criando, assim, uma condição favorável a manifestação do sonho e da fantasia'.

Desculpem-me, mas eu quero que minhas vontades e fantasias continuem sendo manifestadas naturalmente, e quero me auto-conhecer sozinha e em sã consciência, sem precisar me descobrir estando fora do meu estado normal. É por essas e outras muitas razões, que eu tenho pavor de ficar absurdamente alterada; e digo isso não pelos efeitos das drogas ilegais, mas mesmo pelos entorpecentes legais industriais/artesanais bebíveis. É por isso que no campo da bebida, por exemplo, tento sempre me controlar nas poucas vezes que bebo. Nunca bebi e fiquei fora de mim. Tenho PAVOR de correr o risco de chegar no dia seguinte e não me lembrar do que fiz ontem; não saber como cheguei em casa, não saber o que fiz, o que falei, como agi. Tenho pavor de demonstrar a todos o meu eu interior quando eu sequer ainda o conheço perfeitamente. Eu conheço o meu limite e não quero ultrapassá-lo. Bebo, fico alegre, levemente alterada e engraçada, mas lembro perfeitamente de tudo o que fiz, falei e senti.

Quanto às drogas ilegais, as alucinógenas, psicotrópicas e as depressivas de uma forma geral, não nego de forma alguma que sou preconceituosa. Não posso lhes dar uma opinião excepcionalmente formada, mas de tudo que já ouvi e presenciei, acredito que as minhas razões para ser contra são muito mais fortes que as razões que me dão para ser a favor. Eu digo que NUNCA, e repito: nunca, NINGUÉM me deu uma razão óbvia do porquê de fazer uso da maconha –sendo esta a tão simples e comum, e a que "menos faz mal". Imagina então alguém me justificar do porquê fazer uso das demais?

Pelas diversas respostas que ouvi, eu só afirmo a mim mesma que não preciso sentir essa "onda manêêêêêira aêê". Eu gosto de me conhecer, descobrir todos os meus pensamentos e vontades mais íntimas naturalmente. Todos os meus podres, defeitos, qualidades e vontades eu conheci por ter parado dias a fio pra pensar e repensar em mim mesma como ser humano. Não preciso beber pra dançar, ficar extrovertida, engraçada ou sexy. Não preciso fumar maconha pra pensar e sentir diversas coisas, quando tenho explosões de pensamentos de diversos tipos a todo momento. Não preciso fazer uso de nada pra ter uma sensação gostosa, quando tenho diversas sensações boas só de me lembrar das coisas boas que me aconteceram por eu ser bem vivida e de bem com a vida. Desculpem-me quem faz uso e ler isso, mas EU acho que quem faz uso de drogas –aquelas que desde pequenos estudamos e ouvimos dos professores do ensino fundamental que fazem mal-, não tem amor próprio. Acho que por mais que passemos por diversas fases de vida, inclusive a de se descobrir e se reconhecer, curtir a vida e tudo o que ela tem a te oferecer, não precisamos de forma alguma fazer uso abusivo disso. E digo isso porque me uso como exemplo.

E, por favor, não venha me dizer que eu tenho que conhecer tudo antes de julgar, porque se todas as pessoas fizerem tudo pensando por esse lado, será o fim do mundo. Eu tenho vontade de matar certas pessoas e jamais faria isso pra descobrir se a sensação após é boa ou ruim (e nem me diga que, quanto a este exemplo exagerado, são coisas diferentes, porque se pensarmos pelo lado do tráfico, os usuários matam indiretamente outras pessoas todos os dias). Curiosidade faz parte do ser humano, mas como todos já sabem, ela mata. Se você não souber utilizá-la realmente a seu favor, você vai morrer. E não venha me dizer também que "vamos todos morrer mesmo, prefiro então morrer me drogando a correr o risco de morrer atropelado sem ter experimentado tudo isso". Se eu morresse hoje, eu me orgulharia, mais do que tudo, de ter sabido de muitos dos meus limites e ter muito me descoberto sem ter precisado fazer uso de nada disso. Eu me orgulharia de ter feito tudo o que eles fazem, sem ter precisado me auto-prejudicar física ou mentalmente: beijei muuuuuito na boca, fiz sexo e fiz amor, namorei pelo menos 1 pessoa por um bom tempo, fiz faculdade, soube escolher o que gostaria para o meu futuro e tive idéias para querer defender, tive pais maravilhosos, tive valor a dar e a receber, tive amigos reais e virtuais, conheci muuuuita gente, arranjei um bom emprego, vivi de diferentes formas que me foram saudáveis, fui amada e adorada por muita gente, fui extremamente elogiada pelo pouco que conquistei com a minha garra e perseverança e alcancei todos os meus sonhos até hoje pela minha dedicação e extrema determinação. Diante disso, me diga: eu precisei e ainda preciso mesmo experimentar tudo isso? Preciso mesmo ser só mais uma neste mundo tentando se descobrir dessa forma? Preciso mesmo correr o risco de ficar retardada por alguns minutos com muitos ficam, chata ou insuportável como alguns, ou depressiva como outros? Não, EU não preciso.

Tenho muitos amigos que fazem uso de algumas drogas, e a única coisa que eu exijo é que me respeitem. Se você sabe que isso me incomoda, não faça questão de fazer isso na minha frente; e se você sabe que eu tenho extremo amor e carinho por você, não me faça diminuir o que eu sinto me fazendo questão de mostrar que você mudou neste quesito desde que nos conhecemos. Respeito vocês como amigos e seres-humanos, e gosto de reciprocidade. Felizmente, quanto a isso, não tenho do que reclamar; convivo normalmente com essas pessoas.
Não tenho a intenção de fazer com que alguns amigos meus deixem de fazer uso. Acho que muitos se julgam e são maduros o suficiente pra gostarem de se entorpecer e pensar em qualquer coisa após. Outros, já deixaram claro que só fazem isso pra se sentirem "da galera". Quanto a esses, eu fico quieta e deixo que a vida um dia talvez lhes mostre o caminho certo do autoconhecimento.
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Próximo tema: Arrependimento

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Esqueci de te contar!

Fofoquices, Fofocaria e Fofocando. Fofoca pode ser comentário saudosita ou difamatório. O difamatório é muito perigoso quando dito a alguém não muito confiável e também quando nos vemos no estado de pena ou mesmo recalcados.

Faço trabalho em uma favela do Rio (e que favela!). Lá, a fofoca é ultra perigosa. Só os familiares e os amigos de infância são confiáveis. O perigo de ser notado como X-9 só aumenta a tensão. O buraco é mais embaixo, é perigo de morte. As línguas ficam presas, literalmente. A disseminação de informação é bem e mal vista. No exemplo que eu dei, dá pra lembrar da cena do filme Tropa de Elite que a capa de jornal que retratava o rosto do policial do BOPE, Matias, foi vista pelo dono do morro, Baiano, que o reconheceu depois de ir prestar "serviços comunitários" com os colegas da faculdade.



O Baiano até que foi bonzinho. Normalmente é o que no filme mesmo mostrou: "Microondas". Direitos humanos? X-9 é x-9. Só vive enquanto não for pego.

E as fofocas da manhã e da tarde? Ê que delícia! Saber o que não deve ser sabido das pessoas que idolatra ou que se esforçam pra aparecer para o povão... de pernas abertas! A favela é uma das que consomem frenéticamente esses boatos, idolatrismo lúdico, típico de cultura do interior, de cidade pequena, onde uma informação e qualquer coisa que acontece na cidade, é um telefone-sem-fio só!

Seria hipócrita se dissesse que nunca consumi essas coisas. Mas a influência também faz o indivíduo (pelo menos de primeira passagem). A fofoca também volta contra com você. Já voltou pra mim várias vezes. Aprendi com a consequências delas. Tem gente que até hoje... nada.

Fofoca Mata, Denigre, Eleva a moral, Deturpa, Corrige e é normal, usada com parcimônia. Como você fofoca? Hein?!



Vídeo: Fofoca no trabalho, com Max Gehringer.

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Próximo tema: Entorpecido, pensei que...

domingo, 30 de novembro de 2008

3 meses de Línguas Presas - Balanço Geral

Hoje, 30 de novembro de 2008, completa 3 meses de funcionamento do Blog Línguas Presas. Então para deixá-los a par de quão pequenos e grande somos, eis algumas estatísticas via Google Analytics:

Visitas no mundo:



- 23 visitas vindas de 4 países além-Brasil
[Estados Unidos - Angola - Alemanha - Noruega]

Visitas no Brasil:



- 994 visitas vindas de 21 cidades com representantes de todas as regiões, exceto Norte.

Top 5 Posts mais lidos individualmente (sem abertura da página principal do blog)

- Indústria Rakelly e um bando de idiotas
- Masturbação, um vício solitário
- Não vou fazer apologias ...
- Mais um clichê
- Ética ou Anti-ética

Colaboradores:

- 17 colaboradores

Resumo:

- Obrigado! Todos os que participam engrandecem não só o blog, mas como também nós todos, com informação, curiosidades, sentimentos e as mais variadas perspectivas das mais variadas coisas.

Prendam a língua e soltem o verbo!

sábado, 29 de novembro de 2008

Emos e Emas: uma nova perspectiva


Ok, ok... sei que o próximo tema é fofoca. Mas esse tema "emo" é um tema um tanto quanto enriquecedor quanto polêmico, portanto achei vital, ou melhor, necessário fazer uma observação mais aprofundada acerca do tema.

1.
Conceituando um emo
Certo, vamos começar com o mesmo ponto de partida do texto anterior: " Vamos considerar que um emo é algo parecido com isso aqui:


1.1- A característica principal desse ser, antes de tudo, de acordo com a visão do senso comum a respeito do assunto é a potencialização das emoções relacionadas a casos amorosos e um comportamento depressivo no dia-a-dia por causa disso. Com certeza, essa é a característica principal do nosso objeto de estudo.

A partir de tal característica que surgem os comentários do tipo: "Larga de ser emo porra!!" (um amigo falando para o outro que está se lamentando pela perda de sua ex); "Cara, pega leve que hoje eu tô meio emo" (pessoa requisitando para que não seja incomodada com piadinhas contra sua pessoa pois supostamente estaria emocionalmente afetada no dia); "hahahaha!! Isso foi muito emo!" (sujeito referindo-se a atitude de carater homosexual); e a mais temida de todas: "cara, não dá muito papo pra fulano não porque ele é emo" (em outras palavras: "toma cuidado com esse sujeito do mesmo sexo que o seu pois a qualquer momento ele pode abusar sexualmente de você!").
Portanto, podemos já concluir de que o termo emo é de caráter pejorativo, negativo e etc...

1.2- Outra característa importante é o som que esse ser ouve: NX-O, fresno, My Chemical Romance, Simple Plan e etc... Que são bandas que refletem todo esse esteriótipo de "afetado", roupas esquisitas, cabelo com franjinha de chapinha, letras de caráter emocional relacionados a temas amorosos e etc... Ironicamente, quase nenhuma (arrisco até dizer NENHUMA dessas bandas admite ser uma banda emo)

1.3- Depois disso que vem a parte do visual, nas palavras da autora do texto anterior: "calça skinny, fazer chapinha no franjão, usar maquiagem, andar cheio de badulaques"

1.4-E por último, alguns hábitos detestáveis como a maneira de se escrever na internet (pasmem, vi a seguinte escrita na comunidade "guitarra - exercícios e teoria"): "OIe SeRá Ki AlgueIm Aih poDem Me PassAA Uns RiFs fOdoEs do N Xis Zeruh?" Mais ou menos isso... Daí que vem os comentários "Para de escrever igual emo porra!" quando alguém apresenta qualquer mínimo traço dessa característica como escrever um simples "non" ao invés de "não.

2- A repressão da sociedade ao emo
Certo, com todos esses hábitos, digamos, diferentes que um emo tem, quando o estilo começou a se popularizar, ele começou a ser reprimido. Uma repressão que antes era piadinha mas foi crescendo cada vez mais.

Lembro-me perfeitamente da raíz da repressão: "na moral, odeio essa modinha emo!" Isso, provavelmente lá pra meados de 2003. Realmente, como qualquer outra modinha era extremamente irritante! Reportagens e mais reportagens na televisão sobre o estilo, apoio da grande mídia... Essa moda durou um tempo. Mas a coisa foi crescendo...

Passado um tempo, o jogo meio que inverteu: a repressão começou a ser tão grande contra os emos que os mesmos começaram a negar o "estilo". Pessoas que se enquadravam completamente no esteriótipo acima descrito passaram a responder: "peraí, eu não sou emo" mesmo se encaixando perfeitamente no quadro, alguns ficavam estremamente revoltados ao serem taxados do mesmo.

O estágio seguinte foi quando o jogo inverteu: a modinha passou a ser odiar emo. Odiar emo passou a fazer parte do senso comum... Ninguém mais se declarava emo mesmo tendo as características do mesmo. Emo passou a ser algo repulsivo. As bandas de EMO (entenda-se Emotional Hardcore) passaram a negar o rótulo, tendo em vista que os próprios fãns não queriam ser taxados do mesmo.
Até que chegamos aqui ao último estágio da repressão... A LEI! Um jovem suicidou-se na inglaterra e a mãe dele acusa a banda simple plan de ser o responsável por o levar a cometer o tal. O debate se espalha pela Europa chegando a Rússia, onde entra em debate no parlamento russo a possibilidade da proibição do estilo no país por ser perigoso a levar jovens a depressão e suicídio (veja: http://musica.terra.com.br/interna/0,,OI3026227-EI1267,00-Lei+pode+proibir+o+estilo+emo+na+Russia.html). Fato, inclusive, que já se repetiu diversas vezes com o heavy metal onde músicos foram acusados de induzir fãns ao suícidio (como ozzy); ou até de induzir o ex baterista ao mesmo (Helloween); ser repulsivo contra os bons costumes, com risco de ser proibida (Twsited Sisters); repulsiva, imoral, agressiva, (Sepultura) e etc... Podemos ver também muitos outros exemplos de repressão semelhante nas mais diversas vertentes do rock no geral.

Na verdade, a repressão do senso-comum mais alienado de todos se da ao rock em geral, colocando todos eles num saco só. Eu por exemplo, que tenho cabelo cumprido até o ombro (um visual que por convenção é de headbanger, metaleiro, metal-head, e etc.. o que passo muito longe do emo), já vi diversas vezes crianças passando em carro em alta velocidade gritando para mim: "EMOOOOOOOO". Certo, isso sem contar com a repressão do senso-comum ao estilo heavy-metal que, sem mentir, é o meu preferido dentro do rock. Mas a repressão da sociedade ao heavy metal já é algo completamente diferente do EMO, que pode ser abordado futuramente (quem sabe) em outro post.

3- Conclusão:
Certo. Os fãns negam ser; a grande maioria das bandas negam. Os amigos negam ter um amigo emo (na maioria dos casos). Então.... CADÊ A PORRA DO EMO QUE TODO MUNDO RECLAMA?!?!?!?!?!
Aí que tá: acho que emo simplesmente NÃO EXISTE.
Ou melhor: não existe mais, no início da modinha existia sim, e muito. Mas agora, não vejo NINGUÉM, e repito NINGUÉM dizer batendo no peito "eu sou emo". Claro, as vezes pode ser por causa da minha idade e da idade das pessoas que igualmente convivem comigo (seria muito feio um sujeito de 20 anos responder a pergunta "oq vc curte" com orgulho: "fresno... di bob... NX-O... Simple Plan e etc). Claro, existem exceções. Mas... como um amigo meu sempre me diz (não vou citar seu nome pois alguém pode se sentir ofendido com tal conceito [lembrando que esta não é a minha intenção!]) "O emo quando completa 18 anos evolui pra Indie e vai fazer comunicação social!" ahahahahahahahahahahhahaha. Obviamente, falando isso de forma cômica e irônica, sem querer de maneira alguma generalizar ou criar um padrão de personalidade e conduta.

Portanto, assim como um professor de política do curso de ciências sociais da UFRJ, o Walter, alega que a economia não existe porque é totalmente baseada no campo de especulações (diferente do meu texto, em uma tese de 1000 páginas), eu digo: emo não existe porque está no campo das suposições e acusações, não da declaração do indivíduo.

Em outras palavras: se ninguém se declara emo, logo emo não existe! Salvo raras exceções!!



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Mais uma vez, desculpe por quebrar a corrente do tema....


*Próximo Tema: FOFOCA

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Emos ou emas, eis a questão!

Vamos considerar que um emo é algo parecido com isso aqui:



Realmente! Usar calça skinny, fazer chapinha no franjão, usar maquiagem, andar cheio de badulaques, ouvir aquelas musiquinhas frufruzentas... bem, isso tudo é coisa de emo. E pra mim também é um pouco demais. São afeminados demais pro meu gosto! Ser gay não significa ser afeminado, mas não consigo deixar de pensar que todo afeminado é gay. Mas todo emo é afeminado? Se você conhece algum que não é, me apresenta! Assim posso parar de sacanear minhas amigas que insistem em se aventurar com essas moças!

Pode vir falando que é preconceito, que homens também podem ser sensíveis e vaidosos, mas não adianta: geralmente eu acho que os emos são emas, quando os vejo por aí. Tenho amigas que gostam do estilinho, mas eu nunca me convenço! E daí que eles "pegam mulher"? Tem muita mulher que também pega e não gosta, faz só pra aparecer na noitada, óóóóó que underground! Aliás acho mais fácil pegar uma mulher logo, porque esses menininhos muito fofuxos são quase isso! Imagina, passar delineador no namorado? Ahhh não, eu sou mais old school... meu negócio é homem com jeito de homem... pra falar de tinta de cabelo e maquiagem eu já tenho muitas amigas!

Relativizando um pouco, todo mundo tem o seu emo interior... aquele lado breguerézimo que insiste em aflorar nos momentos de fossa, e que te faz chorar até escutando pagode. Aliás, pagodeiros são emos demais nesse ponto... é só música de corno, nunca vi! Pagodeiro sofre demais. E o Marcelo Camelo? Emo barbudo! Hahahahaha.. Bem, se fosse levar pra esse lado, eu até diria que tem emo-homem.. mas acontece que o rótulo envolve todo um estilo muito mulherzinha pro meu gosto!

Se são bichas não sei, mas pra mim não será nenhum desperdício!
Ema ema ema, cada um cum seus pobrema!


Próximo tema: Fofoca

Sou feia mas to na moda!

Enquanto nos anos 80 a lambada era a dança proibida, nos anos 00 (?), entra em seu lugar, o funk.

Considerado por muitos dos que mal vêem um ritmo vulgar, apelativo, que faz apologia às drogas, violência e poderes paralelos. E pelos que bem vêem, uma música boa de se dançar, popular, de raízes ecléticas, com tendências ecléticas, globalizada ou não, resumindo-se em uma das expressões musicais e culturais brasileiras da ultima década do século XX e da primeira do XXI. De certa maneira, o mal olhado pode não passar de preconceito, já que quem não tem dinheiro não pode ser feliz. Mas não convém a argumentação de raízes econômicas.

O movimento funkeiro tem lá suas vozes, para mim o que mais explica o nome e as letras é o "sou feia mais to na moda", mostrando que nem sempre são os rostos mais bonitos que brilham, que nem toda garota é uma princesinha, e que nem toda funkeira é puta.

O funk como ideologia termina sendo uma maneira de manifestar o escarnio da população mais necessitada perante a população de status, como em diversas outras épocas. E essa ideologia por ser a voz verdadeira do povo passa a ser mal vista pelos olhos de cima e assim é inserida às margens da sociedade.

Mas ao invés de acabar, a ideologia funkeira se fortalece, já que a grande maioria dos que a sustentam estão à margem da sociedade também. Deixando assim de ser uma simples música sem letra, ou com letras vulgares, para passar a ser uma música considerada identidade de uma parcela da nação (essa é a maior parcela).

Fazendo do funk o movimento que se desvencilha da dança do acasalamento sutil dos outros estilos de música ( retirando-se o hip-hop "acefalo" e o rock "rebel"), e passa a ser o gemido (de prazer ou de dor) de uma maioria de miseráveis, em um pais de fome.

O funk não passa do retrato musical do Brasil; bossa nova é o caralho, não se dança ouvindo Toquinho.



Próximo tema: Se ema é bicho, emo é bicha

sábado, 22 de novembro de 2008

Sonho Médio

O que é feio? O que é bonito? Gisele Bündchen é bonita? É uma pintura. Mas é bonita? A guerra de ser a mais beleza-padrão-imposta pode ser encarada com uma tentativa de encurtar o sucesso. Sucesso com o trabalho, com a sociedade, com a aceitação de um modo geral.

"Preciso ser aceito". A feiúra e a beleza é relativa de cada um. Conheço vários rapazes que, notoriamente, não são da beleza-padrão-imposta e atraem várias raparigas cheias de blush e pó compacto (uma espécie de photoshop arcaico). Há quem diga que seja a inteligência que ela nunca irá ter, outros, que seja a conta bancária carente de um destino "mais apropriado".

Agora EU? Eu gosto de magrelas? Gosto. Gosto de magrinhas? Gosto. Gosto de pneuzinho do lado? Gosto. Gosto de uma barriguinha de leve? Adoro. Gosto de loiras? Gosto. Morenas? Gosto. Ruivas? Adoro. - Mas tranqüilamente é uma regra que é mais preferência do que regra propriamente.

Segue a campanha, creio eu, conhecida por todos da Dove, onde se vislumbra a beleza dos diferentes tipos de mulher:



Tantas vezes fui questionado (desde a infância) quando estava afim de uma menina e os meus amigos ou amigas comentavam: "Ela não é muito bonita não..." acompanhado de uma cara meio desaprovadora. Pensava e ainda confirmo o pensamento de antes: 'Não quero somente a loirinha de olhos azuis, mas busco jeito, riso, harmonia, diversão e um pouco de conteúdo'. Nem sempre quero um rostinho limpo, simulador de um arfresco angelical.

Dentes perfeitos? Gosto. Dentes com alguns problemas naturais que não prejudicam a saúde? Adoro. São detalhes que se aplicam a mim, mas não necessariamente se aplicam à você. Sou bombardeado desde pequeno pela aquela aparência de ser invejada. Será que sou um merda? Não. Sou natural. Sou isso e ponto. O que posso fazer é sentir bem, saudável e com muita coisa boa para passar adiante.

Ah! A publicidade é sempre a realidade fake do que se realmente vê. Plástico, descartável e artificial. Sebastião Salgado que revela a beleza da beleza natural - não imposta por alguma cultura e sim por pura genética, por pura combinação de gens que se afloram de duas pessoas e resultam na perfeição humana.

Afinal, a perfeição está na estética ou no seu conceito? Cada um busca pra si seu sonho de se tornar uma referência do belo-imposto. Imposto que eu pago todo dia, nas ruas, nas praças, nos outdoors, na internet, na televisão nas revistas e jornais.

O que você busca para si? O culto à pele ou o culto do natural? Acreditem, o natural é mais belo do que o artificial. É um sabor sem papas na língua, seco e úmido, ardiloso, sincero e muitas vezes nú e cru.

Ou você ainda vai querer o sonho médio? "IT'S UP TO YOU, MY BOO!"


Dead Fish - Sonho médio (MTV Ao Vivo)
*letra nos comentários

Próximo Tema: Funk

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Se você é jovem ainda...

"A juventude é uma banda numa propaganda de refrigerantes."

Lidar com um tema tão amplo sem pensar um pouco só pode dar em uma coisa: Verborragia e falta de nexo. Mas se não for assim, vou enrolar de novo e esse post não sai nunca.
O fato é que a juventude me irrita e me fascina, como quase tudo. Odeio do fundo do meu coração essa playboyzada alienada de merda, e também os revoltadinhos fãs da banda emo do momento. Se acham muito diferentes, no fundo são todos iguais, e não suporto todos eles.

Lógico, existem jovens conscientes, mas me parece que a maioria não tem a menor noção do que acontece fora de seus apartamentos. "Vou tomar um ácido e mudar o mundo", dã. Reclamar sentado no sofá sem fazer nada deveria ser uma atitude de velho... mas vejo muito "jovem" que só sabe fazer isso. Talvez eu mesma seja um deles!

Sentada aqui nesse computador, pensando em como o mundo está uma merda... e o que eu faço de efetivo/impactante para mudar a realidade? Acho que porra nenhuma além de tentar influenciar um pouco quem convive comigo a ser mais "esclarecido" (dentro da minha noção do que é ser isso). Agora, será que ter 20 e tantos anos é sinônimo de juventude? Tenho amigos muito velhos dessa idade.

"Se você é jovem ainda, jovem ainda, jovem ainda... amanhã velho será, velho será, velho será! A menos que o coração, que o coração sustente... a juventude, que nunca morrerá!" Era assim? Ah, que saudade do Chaves! De qualquer forma, o que de melhor tem a juventude é a transgressão, o aprendizado, e isso não tem idade. É preciso estar sempre pronto pra aprender e cheio de disposição, pois quem já sabe tudo, já pode morrer... e tem muito pirralho aí achando que já amou tudo que tinha pra amar, que já leu demais, que já viveu grandes coisas... vendo o mundo com olhos cansados, mas com apenas 20 anos! Ô ilusão, ô miopia!

Não sei se no resto do mundo é assim, mas no Brasil temos um culto à juventude muito forte, principalmente quando o assunto é o físico... tolice! Não vou dizer aqui que acho que os velhos são sábios e devem ser escutados, porque já escutei muito velho falando merda, cheio de preconceitos banais. Creio que todas as fases tem seus lado prós e contras, e que é preciso aceitar cada uma delas... mantendo o frescor.

Minha vó é mais jovem que meu pai... e mais sábia também.


Próximo tema: Imagem e padrões de beleza

domingo, 16 de novembro de 2008

Não gosto de muita coisa

Na minha mãe não há quase nada que eu não goste,
mas nos outros...............
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Eu não gosto de ser mal-interpretada. Não gosto de ser maltratada nem iludida. Não gosto que brinquem com meus sentimentos, que tirem sarro dos meus objetivos, que minimizem todos os meus sonhos. Não gosto de pessoas que duvidam do meu potencial por não serem determinadas o suficiente como eu. Não gosto de pessoas que ficam se julgando melhores que as outras, que são menos da metade do que acham que são. Não gosto de pessoas que erram, não reconhecem seus erros e culpam os outros que lhe cercam. Não suporto pessoas que não têm um mínimo de auto-reconhecimento e não são autocríticas. Odeio pessoas que saem divulgando fatos inexistentes e fazendo fofocas de cunho maldoso. Não suporto pessoas egocêntricas que acham que o mundo gira em volta dos seus umbigos. Não gosto de pessoas pretensiosas, invejosas e egoístas. Não suporto pessoas efusivas; que beijam demais, "amam" demais, falam demais, conversam demais, fazem tudo demais com intimidade de menos. Não suporto pessoas superficiais e vazias. Odeio pessoas que vulgarizam o "eu te amo" e "saudade"; sinto vontade de vomitar sempre que vejo as pessoas falando que amam as outras e que sentem falta delas, quando estas sequer se conhecem o suficiente pra saber a intensidade do que é amor e saudade (aprendi que podemos sim amar uma pessoa em pouco tempo, mas somente quando há uma cumplicidade, amizade e intensidade extrema. Não é esse o caso de 99% por aí). Não suporto homens que tentam me persuadir fazendo os piores elogios possíveis como se eu não soubesse que foram ditos minutos antes pra uma outra garota. Não suporto pessoas que acham que viver a vida é vivê-la loucamente, regadas a muita bebida, drogas, festas, diversões, libertinagem e sexo. Não gosto de drogas, e não tenho o menor receio de dizer que sou preconceituosa com a maioria delas. Não gosto de pessoas que vivem bêbadas pelos cantos, que vomitam sempre por aí, que acham que a bebida é a solução para todos os problemas. Não gosto de homens que são egoístas na cama e acham que as mulheres são apenas objetos sexuais. Odeio homens que não fazem preliminares e não se importam com o prazer da parceira; odeio homens que acham que sexo se resume só a penetração. Não gosto de homens que precisam se auto-afirmar ficando com o maior número possível de meninas e fazendo disputas com os amigos (e coitados, acabam sempre pegando as mais feias e pra piorar ainda se sentem os garanhões depois). Não gosto de homens que saem divulgando pros amigos por mensagem no celular, depoimento no Orkut ou em conversas nos cantos de bares frases toscas como "Comi a fulana", "Não comi ela, mas chupei os peitinhos", "Peguei 10 ontem na festa, e você?". Não gosto de casais que ficam despudoradamente e depravadamente em locais públicos fazendo coisas que ninguém precisa ver. Sinto náuseas quando vejo duas línguas se entrelaçando fora de duas bocas, sendo que logo essas línguas se entrelaçarão 3 minutos depois com novas outras línguas. Não gosto de pessoas que desvalorizaram sentimentos como o respeito, amor e pudor. Não gosto da distância, não gosto da saudade. Não suporto hipocrisia. ODEIO pessoas que defendem causas ambientais e sociais apenas pela boca, e não fazem a menor questão de defender pelas atitudes. Não gosto de pessoas que desperdiçam água em banhos de mais de 15 minutos, que desperdiçam água ao escovar os dentes ou ao lavar louça. Não gosto de pessoas que assassinam a língua portuguesa da forma mais horrível possível. Não gosto de conversar no MSN e das novas invenções do Orkut. Não gosto que todas as pessoas na internet tenham fácil acesso a dados da minha vida pessoal, e acho um pé no seio pessoas que saem divulgando freneticamente seus links pessoais e profissionais pra se auto-afirmarem com algum comentário alheio. Não gosto desse maldito aviso sobre o conteúdo dos bloggers. E na verdade eu não gosto de mais MUITAS e muitas outras coisas.
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PRÓXIMO TEMA: Juventude