domingo, 2 de setembro de 2012

Devaneios sobre timidez

4 SEGUNDOS

Aquele momento em que esbarro o olhar e o meu raciocínio demora incríveis dois segundos pra me dar conta em que você vinha em minha direção. A timidez e adrenalina eram um vulcão em ebulição.
Dois segundos a mais serviram pra eu substituir o vulcão por balde de água fria - não era você. O sol em minha face me dobrou e me ludibriou em forma de susto - não era você, mas adoraria se fosse.


FILME DO ROSTO


A timidez é aquela barreira que não te deixa sorrir quando gostaria, no momento em que uma garota poderia ser a mulher da sua vida. É aquela barreira que desce o olhar ao invés de filmar o rosto de expressões que só o HD do cérebro consegue armazenar e nunca deletar até queimar para sempre.




PAIS DA VONTADE



Quando a vontade de dar um 'Eu te amo' para seus pais se transformam apenas em um abraço. E quando isso ainda o pressiona até mesmo em tocar no assunto. Aqui, por exemplo.



TIMIDEZ x VONTADE


Há e não há vontade, ou seja: combustível no motor, ou ausência dele. Há e não há timidez, ou seja: faróis ligados, ou ausência deles. O carro é o nosso corpo que se move para direções distintas onde nosso volante é a nossa escolha e o freio é outra.


FRACASSO ANÔNIMO



E quando alguém não consegue expressar o mínimo de quanto ela quer outra pessoa pra si, naquele segundo ou naquele ano? É como frear e derrapar em uma curva, ao invés de descobrir o que tem do outro lado da montanha.



PUXA A CORDINHA ou ENTRA LOGO?

Um olhar da janela fita outro no ponto de ônibus. Este último hesita. Proporciona a contagem regressiva para o namoro mais superficial de todos. Sem nome, sem corpo, sem voz, sem calor, sem certeza, sem comprometimento até do olhar em si. São alguns fatores que contribuem para a persistência: a certeza do adeus para sempre 99% garantido, a persistência do outro, a falta de movimentação do ônibus, a beleza da outra pessoa em um todo e, é claro, a possibilidade de 1% de uma situação fantasiosa dar certo: um dos dois toma partido e entra (ou sai) do ônibus em sua função. Mesmo que dê tudo errado, a história de contar o fracasso e rir disso com um amigo já é 100% garantida e válida.


PRÓXIMO TEMA: MÚSICA MARCANTE

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A hora é agora

Quando criei este blog, não me dei conta do trivial, literalmente. O que será que podemos falar de um tema tão trivial. Será o texto, trivial? Este é o desafio. Solidariedade é mais uma questão trivial, quiçá, eternizada. O que é proferido sobre este tema remete genericamente a um esforço de ajudar o próximo quando ele mais precisa. O que venho sugerir é uma solidariedade quando as pessoas menos precisam. Difícil entender?

Pois bem, a solidariedade de ideias. A solidariedade de prospecção de iniciativas. É como dar cursos de extensão gratuitos em prol à iniciativa. Quando está tudo bem com uma pessoa ou empresa, em vez de estagnar e apenas manter a manutenção do status adquirido, promover o crescimento em diferentes esferas por pura e simples ampliação do conhecimento e interligamento do mesmo para cobrir mais demandas e necessidades da sociedade como um todo.

Pode parecer complexo, mas podemos racionalizar em algumas situações cotidianas. Eu, por exemplo, atualmente estou inquieto quanto à opressão cultural "low-profile" que está sendo em prática pela troca de poderes na minha universidade. O refresh neste âmbito tão inalcansável deixa o alto posto disposto a administrar sem pingos nos is. No caso, vejo um momento de crise à portas fechadas. Qual a oportunidade? Dos estudantes começarem a ter ciência que algo muito importante falta. Tudo tão ordinário, tudo indo aparentemente bem, nada acontece.

NADA ACONTECE.

Esse é o SET UP que tem que despertar a mudança de comportamento que vislumbre um futuro sem mais "cochilos" de comportamento. Vulgo, passividade coletiva. No caso, estudantil. Onde entro na história? Estou fomentando, ao arcaico e poderoso boca-a-boca, uma noção de resolução de desunião de interesses quanto às atividades estudantis e culturais da universidade.

"Ah!!! Mas pra quê?!?! Esquece isso, você já é formado, foda-se isso que tá acontecendo!"

Passividade só é bom pra duas pessoas, pra quem ouve/reflete e pra quem gosta de tomar no cú. Tirando isso, preparamos um terreno para os que não vivenciaram a injeção plural se contente com uma padronização de comportamento imposta por uma cúpula.

O empreendedorismo cultural, social e econômico são, sem dúvidas, exemplos de solidariedade para a sociedade. A vida ordinária nos viraliza e nos colocam em um barco à deriva. Esse vislumbramento que tive, com ajuda de muitas pessoas e mestres que incentivam o encorajamento de novas possibilidades, quer expor um comportamento que deveria ser matéria obrigatória, senão no colégio, na própria universidade.

Tendo em vista a atual situação da minha universidade, proponho em carta aberta, a criação de uma comitiva, presidida pelo DCE e representantes dos Centros Acadêmicos, para renovação de ideias, iniciativas, manifestações, requerimentos, exigências e quaisquer assuntos que envolvam: direito dos alunos, empreendedorismo universitário, cultura e diálogo entre as partes.

Cabe a vocês acenderem esse pavio e que exploda, o mais rápido possível, um movimento em que quem ganha somos TODOS nós. Inclusive a quem nos opõe.

Jovens visionários, UNI-VOS!





(próximo tema: devaneio sobre a timidez)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Ohm

até ontem eu não sabia de nada. Não sabia que ia acordar com a corda no meu pescoço, enforcando. Sabe por quê? Porque o ar acabou. Acabou pra mim, acabou para eles, foi até o último nível de verdade e nos sufocou com a imagem chiada. quem dera que não fosse verdade.

Mas é amigo.
a imagem não chia. Propaga.

Que o ontem saudoso permeie esperança, porque só quem consegue congelar o sorriso no ar e segurar a imagem com dor, sabe o quanto vale a pena chorar pela vida e sorrir por continuar.



próximo tema: Eu

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Te dá asas

Aura é uma energia positiva que transborda o poder do sorriso. É uma vara curta de curto circuito. Ela não precisa, ela já tem. É sinônimo da sintonia. É uma sinfonia em um instrumento só. É selva de pedra, é o suor que refresca a alma. Parecido com a paciência que é um exercício dos deuses que adjenciam o seu eu lírico.

Os dias em que você se encontra meio sem sentido, sem algo que te faça ter tesão pela vida e não por outrém, de repente conhece uma pessoa nova, uma nova experiência que te manifesta, uma revolução do sorriso, da risada prematura, das falácias que massageiam a barriga. Esta outra pessoa tem uma aura. Nada mais é que um simples fator enganador prazeroso da realidade em que se vive. Sabe-se que nasce-vive-morre. A pessoa que tem aura ela não nasce, nem morre. Vive. Ponto final.

Se ela vir a morrer é porque já viveu sua bela cota e está plenamente satisfeita. Sabem muito bem que outras pessoas com uma bela aura estão por aí, sendo um vírus do curto circuito da vida. Bon vivant. Carpe diem, carpe vita.

Não se acha uma aura dentro de casa. Finja que é um passarinho cansado de ficar esperando comida no ninho e vá voar pelos cantos. Se são os mesmos cantos, que os vejam de outra maneira, a mais inesperada possível. Faça o comentário: INACREDITÁVEL. Inacredite para acreditar em si mesmo, na vida ali, bem ali do outro lado da janela.

Seja um anjo de si mesmo e não tenha medo de cutucar sentimentos confusos nos outros anjos sem asas. Tome um banho e corra para a praça mais perto, para a praia mais limpa, mais vazia ou conheça uma praia lotada de corpos entregues a um astro. Seja o segundo astro e aqueça os corações fingidos de alegria.

Voe.



Próximo tema: Ontem

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Em Porto Seguro...

Dizem que o dono da Poente Vermelho, uma cabana de praia em Porto Seguro, é tão frio, rude, indiferente e difícil de lidar que não dá um sorriso desde a final da Copa de 94, quando o Romário perdeu aquele gol. De ironia. Grosso, nunca dirigiu uma palavra de afeto nem à filha, que se casou no mês passado e ganhou de presente de casamento um pacote de biscoito. Salgado.

E, por coisas que ninguém entende, é justamente por esse gênio ruim que sua cabana vive cheia, com pessoas ansiosas por levar um xingamento daquela lenda da praia. Ou pra ver quem consegue, enfim, dobrar o coração do velho. E foi por isso que o bar da cabana ficou em silêncio naquele dia.

Um morador do sertão baiano, na cidade à procura de emprego, contava sua vida. A história era contada entre goladas de cerveja – paga por um turista argentino bem humorado – e todos prestavam atenção no pobre senhor que morava, como ele mesmo dizia, “pra lá da casa do Diabo”. Sentado num banco perto do balcão, ele falava pra todos, mas olhava mais pro dono da cabana de praia, que estava atrás do balcão com um paninho no ombro. O que levava todos a crer que éramos espectadores de um programa de TV protagonizado pelos dois, ali, ao vivo.

É claro que o sertanejo não falava dessa forma que escrevi e metade de nós passava o tempo todo perguntando “Hein? Que foi que ele falou ali?”, mas eu tentei simplificar um pouco.

- Lá onde eu moro – disse o sertanejo – todo mundo é tão pobre que nem se pode dormir até depois do Sol nascer, que acorda com a luz entrando pelo teto. Alguns de nós nem tem teto.

A platéia, chocada, se olhou com cara de “já imaginou? Nem teto!”. E o dono da cabana só olhando.

- A gente levanta e trata logo de comer uma farinha, que é pra agüentar o dia todo. Aí minha mulher e as mulheres das outras casas vão pra rua vender o artesanato.

O sertanejo mostrou o cordão, que tinha uma pequena escultura feita de barro.

- A gente sabe mexer com barro como ninguém.

E o dono da barraca, nada.

- Não vende muito bem não, mas dá pra comprar alguma coisa pra comer. No mês passado a gente comeu até queijo.

Sussurros pela cabana, “até queijo!”, em sinal de alegria pelo pobre senhor.

- E enquanto as mulheres fazem isso, eu e os outros homens separamos os tonéis de água.

Chegou ao ponto que todos esperavam. A água. A maior angustia de todos na cabana era imaginar como aquele povo fazia pra conseguir água – até barro eles tinham, água era o mínimo!

- E nós andamos. Andamos por uma, duas horas dependendo da direção do vento. E só carregando aqueles tonéis, pra trazer água pra todo mundo. E barro, claro, pras mulheres.

E todo mundo na cabana balançando a cabeça, imaginando o sofrimento daquele povo. O dono da cabana, impassível.

- A gente anda, chega no rio, enche tudo e volta. Volta mais devagar, claro. E aí é que fica mais difícil, porque o Sol começa a queimar. E Sol, no sertão, é mais forte que o daqui de Porto Seguro, que é onde ele só vem passar férias.

Risinhos na platéia. Menos do dono da cabana, que fingiu que não era com ele e limpou um pedaço do balcão.

- Aí, quando a gente chega em casa, nem tem tempo de descansar, vai logo ajudar a mulher. É difícil, viu, a vida no sertão...

E tomou mais um gole de cerveja. Todo mundo olhou pro dono da cabana. Era a hora do veredicto. E então, é difícil a vida no sertão? E o velho – e grosseiro – dono da cabana não perdeu a oportunidade:

- Entre ser pobre no meio do nada e ser pobre perto do rio, deixa de ser burro e te poupa da caminhada.

E foi, bufando, servir a turistada do outro lado.


Próximo tema: livre

Sentido!

Línguas Presas é uma anarquia disciplinada. São cuspes na mesma tigela, diferentes dardos e flechas apontados para um mesmo alvo. Um vômito indigerido sobre coisas estragadas ou guardadas sem muito sentido para um vaso sanitário virtual onde o nojento é apenas um adjetivo. Escrever, pensar, refletir, mexer os dedos compulsoriamente é um exercício em conjunto que faz a criação da concepção para a percepção. O que você percebe, o que você esconde e o que você compartilha são anarquias em vias de uma organização. Mesmo que aleatória.

A disciplina é um exercício de fluxo de ações (incluindo os pensamentos). Maduro ou imaturo, os pensamentos são experimentações únicas. Como não há verdade, apenas realidade, as verdades caem. As realidades se tornam fenômenos para a liberdade de pensamento. Se eu permeio a sua liberdade, a minha tende a permear o infinito. A soma de anarquia e disciplina é igual a respeito. Uma anarquia só funciona com o respeito individual. Uma vez que um grupo é formado por mais de um indivíduo, o respeito tende a multiplicar.

Estes sujeitos que tem a liberdade respeitada também têm que perceber a liberdade do outro e abrir as portas para as novas experimentações. Estou em um período longínquo e um indivíduo me diz por A mais B que a Terra é redonda e que não há precipícios colossais. Façamos uma viagem de respeito pelo indivíduo 'Natureza' e veremos até aonde nossos medos do 'Novo' pode castrar nossa anarquia disciplinada.



A anarquia não é possível por não haver revoluções ao seu favor e as revoluções de métodos políticos não se manifestam no globo disciplinadamente em sua totalidade. Revoluções comunistas fechadas se limitam ao Vietnã. As socialistas abertas têm um carro-chefe mal das pernas como Cuba.

A anarquia é um sentimento e uma falácia política. Por enquanto. Quem sabe a sua liberdade não a guia ao infinito?

Próx tema: Um chopp e a conta

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Copacabana

Eramos alguns tantos. Tantos que não lembro direito se eramos muitos ou poucos. Sei que fazíamos o que muitas vezes se sabe que tem que fazer. Falta coragem pra maioria. Subíamos no banco e gritávamos até que nossas gargantas gritassem mais do que nós mesmos pedindo pra pararmos de gritar. Gritávamos enquanto o país inteiro se preparava pra resolver problemas democráticos internos. Fizemos o que pudíamos. Na verdade, ainda estávamos fazendo, e fazendo realmente o que podíamos, não aquela potência obrigatória de se fazer poder. Um de cada vez, nós subíamos no banco e gritávamos. Era um grito contido, mas potente. Àquela altura só nos restava nos voltar para o que acreditávamos ser a redenção, nosso papel, nossa força, o que nos move como um bando. Esquecemos os números e mergulhávamos nas palavras. Afogávamos os que estavam em volta em palavras também. Esse era o nosso papel. E provamos para nós mesmos que agora acreditamos que acreditamos nele mais do que nunca.


PRÓXIMO TEMA: Anarquia disciplinada.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Partida Derrotada

O jogo começa. Que engraçado, estou de verde e amarelo. Todos estão.
É 2010, ano de Copa do Mundo, é claro que estão de verde e amarelo.
É jogo do Brasil, todos estamos de verde e amarelo.
Todos no mundo vestem as cores de suas bandeiras.
Todos representam as cores de sua bandeiras.
Mas só em dia de jogo,
só em tempos de futebol.
E ontem? E naquele dia que você viu o mundo de cabeça pra baixo?
Todos os dias que as pessoas tem o que você não tem...
Todas as lágrimas dos desprivilegiados...
Todo o abraço inexistente pros desprovidos de carinho.
Tudo as derrotas em campo que não precisam de 11 jogadores:
precisam de todo mundo,
inclusive você.


Que triste.


PRÓXIMO TEMA: VITÓRIA

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Às reais possibilidades

Andava tanto tempo sumido sem dar notícias...
Um vulto rápido na imensidão da parede branca.
Agarrei-te como uma criança agarra a sombra de Petter Pan.
Seu opostos apostaram na minha disponibilidade
E eu inocente
Me vi detido nas grades do seu seu nome
Que vaga ecoando na minha cabeça.
O prazer que sinto de novo
Não é nada menos que a felicidade de achar compatibilidade.
Ja era tarde para o acaso. Enfim, chegou.
Amar é surpresa!

TEMA: Pátria

domingo, 27 de junho de 2010

you are the winner

Como em réquem para um sonho sinto meus dentes trincando frente à tv. Sinto meus vícios: olhar, apreciar, comer, degustar, e nada além do que deitar na cama e entrar na onda das minhas ilusões... mas as cores infinitas em minha frente não compensam o barulho do trincar... Resolvo passar uma borracha pra apagar a minha dor, mas estava tudo escrito a caneta: eu não podia mudar o que já estava escrito... tento então virar o rosto, mas uma força muito estranha e proveniente de lugar nenhum puxa meu pescoço para o lado contrário, e ele fica rígido, e simplesmete imóvel - não consigo mexer, não consigo controlar meus impulsos, meu corpo não é mais meu. Pra substituir a sensação insana da minha mente, começo a esticar minhas pernas, pra fazer desapaecer a câimbra inexistente nelas, mas persistentes em meus neurônios... estranho. Meus pensamentos se confudem. Vou intercalando com o consumo das ilícitas, agora correndo em meu sangue e criando um tesão pelas imagens criadas pela minha propria criatividades. A parede se comprime num tamanho que caberia na palma da minha mão, e eu virei alice num mundo não tão maravilhoso. Fiquei com um vestido azul num campo verde com flores roxas, sem cogumelos e anões, mas gigantes olhando lá de cima pra mim, como se eu fosse insignificante nessa vida, mas devo ser. Meus dentes continuaram trincando e eu tinha esquecido do meu vício - havia o substituido pela dor incessante da minha câimbra mental. As paredes alargaram, mas escureceram, de brancas passaram a ser cinzentas, grafites, o grafite que não havia na minha caneta.... eu não conseguia apagar as paredes, nem trocar de vestido, nem pular na grama. Então a câimbra possuia minhas pernas imóveis, meus pescoço rígido e minha mente perturbada... eu estava câimbreada... voltei a escutar o som estridente da televisão, consumindo meus ouvidos, rasgando meus tímpanos, até arranhar minha garganta... de repente eu só escutava um fino e infinito barulho, irritante como uma criança puxando sua blusa e pedindo por um brinquedo. Irritante, o som era contínuo... puxei meus cabelos, meu vestido azul, peguei uma flor roxa e botei nos meus cabelos puxados... eles saíram da minha cabeça e foram andando até a televisão - representação tecnologica em meio a disputas florais. A tv desligou sozinha, meu cabelo voltou a minha cabeça, mas o som continuou estridente, fazendo minha mente cãimbreada se apagar e entrar em um sono profundo, procurando por um sonho que nunca existiu... tudo por culpa das ilícitas.

Eu acordei, e de repente me vi sentada, na minha cama, em frente a tv, em casa, sã. Sem saber se tudo aquilo tinha realmente acontecido ou foi tudo fruto da minha imaginação... eu me perdi, e começou tudo de novo.


PRÓXIMO TEMA: O TEMPO.

sábado, 26 de junho de 2010

Do Re Mi Fa Sol, muito sol

Eu arrebentava elásticos quando mais novo e prendia uma extremidade e deixava outra presa à minha mão para que eu pudesse esticar mais ou menos para dar petelecadas de sons agudos e graves sem muito compromisso. Nesta mesma época, panelas e colheres de pau eram a bateria dos meus sonhos momentâneos. Eu era a bateria da Viradouro, era o baterista do George Michael e dos Guns N Roses. A rádio que eu ouvia ainda na vitrola do meu antigo apartamento estava riscada com grafite as melhores estações, quando já vi, estava ouvindo programas de música dance/eletrônica com 6 anos, sabendo o nome dos melhores Djs do Rio e do mundo.

Quando tinha 5 anos, imitava Michael Jackson de costas para minha família. Uma forma de fazer a vergonha ir embora e me fazer sentir o rei do pop por 4 gloriosos minutos. Me destacava desde novinho nas festinhas por me deixar levar pela vibração da música. Nas festas matinês que frequentava perguntavam constantemente se eu fazia parte de alguma aula de dança, como hip-hop ou dança de rua. Enquanto as pessoas revelavam suas vergonhas eu quebrava este mito ressonando a música com meu corpo.

Virei Dj aos 14 anos com ajuda de um amigo, tudo era tão novo e aprendi que não tocava pra mim. Eu tocava para as mulheres. Tocando para o coração e corpo das mulheres, elas apareciam e como consequência, eles iam atrás. Resultado? Festa completa! E até parece que muita gente não sabe que a música foi feita para 'elas'. Por causa delas que incontáveis músicas se tornaram verdadeiros mitos, clássicos e hits dos hits. Falo de música clássica até o funk do 'só love'.

No momento ouço um baita musicão, 'Jamiroquai - Cosmic Girl' do DVD Live at Montreux 2003. 'She's a cosmic girl', diz o refrão. Pelo groove e a forma que a letra é levada dá pra sentir o sex appeal intenso que é essa garota cósmica... Sem falar no groove que o jamiroquai se inspira: James Brown, o Rei do Groove e Michael Jackson (ontem, fez 1 ano de sua morte), o Rei do Pop.

Se for falar da world music, passando pela brasileira, pela argentina, pela francesa, cubana, jamaicana, africana e sobretudo todas as regionais, a música se realoca como sinônimo de atmosfera artificial. Não menos gostosa que a original, mas como um tempero pra lá de gostoso ou não. Dependendo do acompanhamento, o prato principal pode perder pra sobremesa, ou dependendo de que qualidade for feita, o restaurante é fechado.

Como tenho o monopólio deste post que escrevo, tomei a liberdade de citar minhas maiores influências musicais. Algumas. Algumas de inúmeras. Então, lá vai:

- Guns n Roses
- Michael Jackson
- George Michael
- Jamiroquai
- Madonna
- Metallica
- Chemical Brothers
- Beatles
- Fatboy Slim
- Prodigy
- Green Day
- Oasis
- Nirvana
- Foo Fighters
- Dee-Lite
- Cássia Eller
- Jota Quest
- Gotan Project
- REM
-Silverchair
- Rage Against The Machine
- Audioslave
- Cidade Negra
- Carlos Santana
- Djavan
- Moby
- Dead Fish
- Queens of The Stone Age
- Beastie Boys
- Nação Zumbi
- Mombojó
- Los Hermanos
- New Kids On The Block
- Coldplay
- The Strokes
- Planet Hemp
- Raimundos
- Paralamas do Sucesso

E por falar em Jamiroquai...



Próximo tema: Bad Trip

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Vela da madrugada

Eu vou direto ao ponto porque o prazer é uma fruta que se come madura; é a adrenalina que se converte em combustível; é a vontade de não parar. Já lhe perguntaram se existe algo que poderia nunca acabar? O prazer é findável, todos sabemos. Mas pode se tornar infinito em sua breve finitude.

Todos almejam. Poucos conseguem. Ah! Imaginem só o prazer em cápsulas. Para mim mera banalização de algo tão rico. Ou então, prazer injetável. Compraríamos ali no buteco do seu Manoel, esconderíamos em buestras calcinhas e calções e partiríamos rumo à felicidade. Vivenciaríamos um apocalipse, ao menos, prazeroso.

E a sensação? Aquela pontinha de arrepio inicial. Uma onda crescente de estímulos involuntários e paralíticos. Um não pensar consciente. Um vulcão em erupção.... Eureka!!!!

O prazer é a mulher capaz de fazer desperta-se em chamas. É o homem sendo um verdadeiro homem. São as coisas prosaicas que se tornam vida. É a vida em seus mais que cinco sentidos.

Simples.
Assim.


Next topic: A música

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Maciez surda e muda

Tuas bordas engalfinhadas, formatos múltiplos, maciez de uma noite úmida sem pecados, tesão mal tratado e teu símbolo de cápsula protetora. Tantas qualidades para quem sonha em te tacar de um lado para outro. Sonha em te rasgar em trapos penosos, em sonhos afáveis e infantis. Enfeita meus aconchegos, vira bebê recém nascido nas mãos suaves, nas calejantes.

Traga as memórias de corpos amassados contra o teu, novos perfumes dos quais não foram meus. Os fios de cabelos esquecidos em teu colo. Loiros, ruivos, morenos ou grisalhos. Íntimos pelos meus, ou de outrém. Não esqueças do charme que me ajudara em outrora. Com amigos, amores e status quo. És, no fundo, uma parte de tudo isso. O fundo em que me repouso, em que posso enfiar a cara de frio e retornar com bafo de calor. O fundo em que já enxugou lágrimas de amores perdidos, de amores sofridos. Tudo sem tua culpa.

Já viraste presente de aniversário, de dia dos namorados, de dia dos carentes desaconchegados. Tornaste simbolo de noites bem dormidas. Não és substituto de colos amorosos. És meu colo amoroso particular, desde sempre. És minha parede muda, meu chão macio. Meu sexo confortável, minha coluna bem colocada, minha perna entrelaçada. Meu conforto de pensar no desconfortável.

Sinto não poder ouvir tudo o que tens pra me dizer. Não tenho noção nem se isso é possível. Já vi tanta coisa neste mundo que até duvido das dúvidas usuais. Só me resta aliviar minha mente, aquela que massageia toda as pernoites, e lhe agradecer pelos 22 anos de histórias que já presenciou, que já testemunhou junto à mim e ao nosso eterno ménage à trois.

Almofada, travesseiro e colo, meu eterno muitíssimo obrigado.

PRÓXIMO TEMA: Prazer

terça-feira, 1 de junho de 2010

Lente de AUMENTO



Posso correr até no asfalto
que escorrego
Passo a mão sob meus olhos
eu esfrego
A um palmo do meu rosto
não enxergo
Tudo isso quando o caminho
está deserto

Mas você chega e me oferece a mão
"Oi, faminta. Você quer um pão?"
O que era pequeno ganha TAMANHO
O que era perda vira GANHO

O turvo ficou CLARO para mim
Quem diria que o MUNDO era BELO assim
Finalmente ENXERGO as FLORES!
E sou capaz de DINSTINGUI-LAS pelas CORES!

Vejo PÁSSAROS, ÁRVORES E GENTE
Vejo FRIO, MORNO E ATÉ QUENTE
Vejo SAL, DOCE E SEDENTO
Vejo ÁSPERO, LISO E GRUDENTO

ARREPIOS, SONHOS E FANTASIA
SONS, HARMONIA E MELODIA
SENSAÇÕES, BRILHO E SINESTESIA
Vejo TUDO aquilo que eu antes não podia

A vida deixou de ser tormento
Você me trouxe uma LENTE DE AUMENTO
Deixei para trás minha visão
E passei a ENXERGAR com SENTIMENTO


PASSEI A ENXERGAR COM SENTIMENTO!


Deixei pra trás minha visão
Você me trouxe uma lente de aumento
A vida deixou de ser tormento

Vejo tudo aquilo que eu antes não podia
Sensações, brilho e sinestesia
Sons, melodia e harmonia
Arrepios, sonhos e fantasia

Vejo áspero, liso e grudento
Vejo sal, doce e sedento
Vejo frio, morno e até quente
Vejo pássaros, árvores e gente

E sou capaz de distingui-las pelas cores!
Finalmente enxergo as flores!
Quem diria que o mundo era belo assim
O turvo ficou claro para mim

O que era perda virou ganho
O que era pequeno ganhou tamanho
"Oi, faminta. Você quer um pão?"
Mas você chega e me oferece a mão

Está deserto
Tudo isso quando o caminho
Não enxergo
A um palmo do meu rosto
Eu esfrego
Passo a mão sob meus olhos
E escorrego


POSSO CORRER ATÉ NO ASFALTO!


Próximo tema:
Almofadas

O tudo virou nada

Você não precisa de muito para tropeçar. Nenhum grande abismo, nehuma pedra no caminho, nada, absolutamente nada.
Basta uma palavra ou uma ação que você julga ser a mais apropriada para o momento. Mas ela desvenda-se ser um verdadeiro abismo.
Desmoronamento interno. Conhece?
Puta merda.
Sabe quando você grita por dentro... doi de ver. Ninguém te ouve. Ninguém entende. Ninguém é você naquele momento. Só você.
Ou como muitos dizem: só Jesus. Mas nem Jesus está com você naquele momento: ele está ocupado demais chorando...
Depressão.
Conhece?
Eu queria ter tempo de ver meus amigos. Eles são, na maioria das vezes, o fio ao qual me agarro na esperança de não cair no caos. Mas... eles não estão aqui.
Estou nua, tremendo de frio, com a cabeça latejando de dor e eu não consigo parar de chorar. Estou aqui há tanto tempo, presa nesta queda, que a única coisa que ouço é o som do meu eco. Mas faz tanto tempo, que nem força mais eu tenho pra nada. Sequei, inclusive.
Sabe o que eu mais quero?
Que você enxergue que tem alguem que precisa de ajuda. Eu preciso.
Declaro publicamente.
próximo tema: Lente de aumento

domingo, 30 de maio de 2010

Não sou hipócrita, sou cristã!

Eu não dou o cu. Não faço sexo com estranhos. Alias, eu só faço sexo com meu marido e só fiz depois que casei. Eu não falo mal dos outros. Não bebo cachaça. Não falo palavrão. Não escuto funk. Eu sou uma pessoa muito boa. Eu amo todo mundo. Acho todas as pessoas legais. Eu acho muito feio quem é falso. Até porque eu sou muito verdadeira. As vezes eu erro. Mas me confesso.
O Padre Pedro é meu confessor. Ele malha lá na academia. Ele tem um físico bom. Mas fico indignada com as mulheres que o chamam de gostoso. Isso é absurdo. Eu estou sempre com o Padre Pedro. Já o vi até de cueca. Mas nunca fantasiei nada com ele. O único homem que me deixa excitada é meu marido. Eu nem olho pro lado. Acho um absurdo essas mulheres de hoje que ficam cheia de fogo falando de homem.
Outra coisa que me assusta. Maconha. As pessoas acham que fumar maconha é natural. Eu não fumo. Nem sou amiga de quem fuma. Não preciso disso pra ser feliz. Nenhuma dessas drogas. Eu só bebo vinho em momentos especiais com meu marido. E champanhe em casamentos.
Eu nunca desobedeci meus pais. Nunca menti pra eles, nem pro meu marido. Nunca matei aula. E nunca colei. Tenho orgulho disso. Eu ando certa. E fico entristecida com as coisas erradas desse mundo. Essa necessidade voraz de ser feliz. Essa falta de moralismo de hoje em dia. Eu sou assim. Não sou hipócrita, não mesmo. Acho que é bom viver assim. Fazer o que Deus manda. E ir pro céu quando eu morrer. Amar meus irmãos aqui na terra e fazer só o bem. Até mesmo pra quem quer meu mal.
Que o Senhor os abençõe!

Próximo Tema: Queda.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O trem do tempo apitou

Seus ossos vão doer. Sua vista vai falhar. Seus filhos vão crescer. E seus amigos de longa data, provavelmente, não estarão mais aqui. Você vai se perguntar por que viveu tanto?
Mas tem dias que eu me sinto como me sentia há 50 anos. Jovem. Forte. Vivo.
É, eu não tenho o mesmo pulmão. E minha cabeça já mudou tanto que nem me lembro como ela era. Eu até poderia pensar - ah! se eu tivesse essa cabeça há 50 anos - mas prefiro pensar no desafio de lembrar como minha mente funcionava. O que eu era, já não sou. Ah! mas que saudade de ser. Eu achava que podia conquistar o mundo. Fazia um plano novo a cada dia. Me lembro bem de sonhar em conhecer o Egito ou até mesmo de passar aquele final de semana em Petrópolis com a velha. Não aconteceu. Não posso dizer mais sobre, pois minha memória fraca me impede.
Recordo-me quando meu primeiro filho nasceu. Mas já não pensava mais como gostaria. A preocupação era maior. Não era apenas a minha vida. Lembro de quando minha filha mais nova se formou e aquele imenso vazio que ficou. Eu já não me reconhecia. Meu rosto estava tão diferente. Não notei todas aquelas marcas aparecendo. Obviamente, um homem da minha época não deveria se importar com sua aparência. Confesso, me assustei. Não era vaidade. Era só o tempo me pressionando contra o espaço. Fiquei com medo. Medo de morrer, de esquecer. Passei a pensar na minha inexistência. Como seria o mundo sem mim? O que eu faria quando acabasse. Meus ossos, minha vista cansada pouco me importava. Não eram as dificuldades de ser velho que me afligiam. Era o pouco tempo que hoje ainda menor me resta. Passaram-se 10 anos que minha caçula se formou. E hoje é meu aniversário. Faço 70 anos. Meus filhos e netos estão me esperando descer para a festa. E aqui estou eu... pensando como pensava há 5o anos.
Quando você fizer 70 anos vai sentir saudade de tudo o que lembra e até do que não lembra. E nesse dia vai sentir vontade de não carregar o peso de uma cabeça velha sobre o pescoço fraco.
Vai chorar, como eu choro agora... de saudade. de tristeza. de alegria. Por ter vivido muito em tão pouco tempo. E sentir o vazio de ter pensado pouco sobre o como pensava.

Próximo tema: Monofobia.

Chico

Você, um vermelho que não é bem vermelho
É um quase marrom
Me faz um favor?
Sai de mim, sai completamente.
Não te quero aqui.
Você é insistente e persistente.
Nunca vou compreender sua razão de ser.
Vai, escorra pelo ralo.
Nenhuma mulher te quer.


Próximo tema: idade

terça-feira, 18 de maio de 2010

Costura

No homem cordial
Pego as tormentas
Sigo as rodovias sem novas rotas
Toco a sua vida sem novas notas

Esqueço-me do mal
Sopro pelas ventas
Do dia em que rodeava pernas bambas
Ardia mais que nos outros sambas

Olá você, que tal
Costuro as ementas
Do nosso passado pergunto porquê
Rodeei pela sua saia godê

Me pergunto qual o certo mal
A diferença do pirê do purê
Prefiro teu pão com patê
Meu suco de orgulho..

Próximo tema: Vermelho

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Milkshake traumatizante

Foi na onda de ‘Vóvó rica pega pirralho sarado’ que Eduardo conheceu Helena em um bar. Eduardo é um engenheiro bem sucedido de 28 anos que saiu da casa dos pais tem não mais que três anos. O que Eduardo não sabe até hoje é que ele foi adotado. Claro, ele percebeu que fisicamente não há muitas semelhanças com seus pais, mas parou por aí. Helena é uma advogada e psicanalista de 45 anos que se arrepende de erros passados e por isso tenta quitá-los trabalhando com clientes que ela crê inocentes. Além disso ela ajuda uma empresa de adoção atendendo a futuros pais que não ficarão com seus filhos para dar-lhes a chance de uma vida melhor. Ao final do terceiro encontro eles foram para a casa de Helena, onde aconteceu pela primeira vez. A pegação vai e vem, e conforme a intimidade dos dois cresce, ela fica com mais vontade de conhecer a família de Eduardo. No aniversário dele os três se conhecem e assim que apresentados Helena percebe que os conhecia de algum lugar. Na próxima vez que os dois se encontram no apartamento dele, enquanto Eduardo imita o milkshake de ovomaltine do Bob’s ela repara numas fotos penduradas na parede da sala. Deliciando-se com o milkshake de Eduardo ainda olhando as fotos, ela vê uma foto dela aos 17 anos dando Eduardo ao seus ‘pais’.

- Eduardo, quem são as pessoas dessa foto?

- Ah, sou eu, meus pais e uma amiga da família que eu nunca cheguei a conhecer.

Botando seu milkshake de lado, Helena senta e diz:

- Meu bem, me escuta, não me odeie e não me procure de hoje em diante. Mas eu não posso mais te ver.

- Por que? Qual o problema? O que houve? – pergunta Eduardo, não entendendo o surto de Helena.

- Pergunta aos seus pais a verdade sobre aquela foto que você vai entender. Agora, eu preciso ir.

Ela dá um abraço apertado nele e sai do apartamento dele correndo antes que ele a veja chorando. Eduardo pega a foto e vai correndo aos seus pais pra entender alguma coisa melhor. Depois de tudo revelado ele não acredita na situação e ligando os pontos ele tenta seguir em frente um dia por vez e vira o Charlie Harper da vida real.



Por Carol Lucchetti

Próximo tema: saia godê e bad memories